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Estado

A prova dos cinco desafios de Caiado para início da gestão em 2019

Governador eleito terá de encarar o enfrentamento de um estado mergulhado em dívidas e crises nos principais setores da administração pública

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Ao assumir a principal cadeira do Palácio das Esmeraldas, a casa verde, o governador eleito em primeiro turno, Ronaldo Caiado (DEM), receberá, além da chave do estado, ônus e desafios pela frente. Entre muitos, o primordial de recolocar Goiás nos trilhos do desenvolvimento e resgatar posição de destaque, competitividade e cumprimento das normas éticas de transparência exigidas pela sociedade no novo quadro político nacional que se inicia no país em 2019.

Diante de notórias crises instauradas nos principais setores públicos no estado, o poder de execução da gestão de Caiado e sua equipe será colocado a prova com cinco principais desafios, que vão desde o combate à corrupção, reequilíbrio fiscal, além de uma série de ações e medidas que poderão ser colocadas em práticas já nos primeiros 100 dias de governo, conforme apurou o GOYAZ.

REEQUILÍBRIO FISCAL

Equilibrar Caixa é o principal e imediato desafio de Caiado. O novo governo vai herdar dívida histórica em Goiás. Dados divulgados pela imprensa e órgãos de controle apontam para que Caiado terá de encarar o enfrentamento de uma dívida pública que pode chegar a R$ 20 bilhões.

Nota-se que, a partir do momento em que o governador eleito definiu sua equipe de transição, diversos questionamentos passaram a existir em relação aos números apresentados pelo atual governo Marconi/José Eliton.

A discrepância entre a atual realidade do estado e dos números supostamente manipulados apresentados pelo atual governo, põe em risco todo planejamento de Caiado e capacidade do estado em retomar investimentos e obter recursos perante à União e bancos de desenvolvimento.

Para Caiado, a previsão para 2018 era de um superávit orçamentário de R$ 900 milhões, mas o fato é pode existir um déficit de R$ 3,6 bilhões no orçamento do estado com um rombo negativo atual de R$ 4,5 bilhões. A dívida praticamente dobrou na última década: saltou de R$ 11,5 bilhões, em 2006, para os valores atuais.

Em entrevista à imprensa, Caiado demonstrou preocupação sobre pagamento do funcionalismo público para novembro e dezembro. “É uma preocupação de todos os funcionários públicos se vão receber ou não. É um momento delicado até para a economia do Estado. Vejam bem, são duas folhas de pagamento. Estamos falando de R$ 2,6 bilhões. São valores substantivos!”, finalizou Caiado.

 

CRISE NA SAÚDE

Caiado prometeu revolucionar o sistema de saúde pública em Goiás. Entre as metas, construir policlínicas no interior do estado e reformular a gestão de atendimento, promovendo descentralizações.

Com parte dos serviços paralisados, ordens judicias de retenção de caixa para pagamento de fornecedores e profissionais de saúde, o principal hospital do estado, o Hugo (Hospital de Urgências de Goiás), tornou-se alvo de uma série de investigações.

A Justiça Federal seção Goiás (JF) determinou o bloqueio de R$ 27,5 milhões do Governo do Estado de Goiás, para o pagamento de dívidas do Hospital de Urgências de Goiânia.

O governo respondeu a ação com a informação que somente em outubro foram repassados mais de R$ 76 milhões para a Secretaria de Estado da Saúde com repasses para as OS’s que administram as unidades de saúde da rede estadual. Desses, R$ 17.600.000,00 teriam sido destinados especificamente à Gerir, que administra o Hugo.

Em entrevista à imprensa ainda durante a campanha, Caiado prometeu ações imediatas para Saúde em Goiás com a expansão no atendimento à população e incorporação de psicólogos, eduacadores físicos, nutricionistas, entre outros, ao Programa da Saúde da Família, além de instaurar o médico carreira de estado. Com a grave crise financeira e administrativa na saúde pública em Goiás, é de se esperar que Caiado anuncie medidas de impacto já nos primeiros meses de governo, com objetivo de reverter o quadro clínico de UTI em que se encontra o estado.

 

SEGURANÇA PÚBLICA

Por meio do Twitter, Caiado informou que dados recebidos pela equipe de transição soaram como sinal vermelho e que os números obtidos até agora são alarmantes.

“Esse quadro grave na segurança pública de Goiás é resultado de uma má gestão e falta de investimentos. Estamos em busca das informações para que possamos enfrentar esse colapso instalado no nosso estado” tuitou o governador eleito.

Caiado ainda afirmou que, em reunião com o Ministro da Defesa Raul Jungmann, foi confirmado que a situação da Segurança Pública em Goiás é grave.

“Em reunião com a presença do ministro Raul Jungmann, obtivemos a confirmação de um quadro grave. Há uma defasagem de mais de 9 mil vagas em presídios em Goiás com pouco mais de 3 mil policiais civis e 11 mil policiais militares para atender a uma população de 6,7 milhões de pessoas” expôs Caiado.

 

DESINFLAR A FOLHA

A medida passará, provavelmente, com a diminuição dos cargos comissionados. Desde o início da campanha, Caiado prometeu reduzir o inchaço da máquina pública com demissão em massa de cargos de confiança relacionados a apadrinhamentos políticos oriundos dos ex-governadores Marconi Perillo (PSDB) e José Eliton (PSDB). Estes números podem ser bastante expressivos e chegar a casa perto de uma dezena de milhares.

Caiado ainda aguarda a oficialização de números e dados para analisar a gravidade de cada setor do governo. Com a redução da folha, o novo governador espera também cortar gastos e criar condições futuras para investimentos.

Segundo a equipe de transição de José Eliton, foram enviadas, conforme a solicitação apresentada por Caiado, relação completa de servidores (incluindo inativos e pensionistas) e suas respectivas remunerações com a listagem de cargos por órgão, além do demonstrativo da dívida do Estado.

Também teria sido repassado à equipe de transição de Caiado, a Proposta de Lei Orçamentária Anual 2019, a Lei Orçamentária 2018, o Plano Plurianual 2017-2019, os Programas e Projetos de Governo, a previsão de receitas 2017-2019 e a relação de Projetos de Lei em tramitação na Assembleia Legislativa.

Com base no aprofundamento e estudos destes dados em específico, Caiado poderá determinar o grau de corte via caneta que deverá estancar sangrias de dinheiro público vindo de uma folha inflada em Goiás e que se encontra, atualmente, impagável.

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

O cenário é principalmente crítico com as obrigações firmadas com a sociedade civil e servidores. Organizações Sociais (OSs) padecem com a falta de repasses dentro de um cronograma. Hospitais públicos sobrevivem sem as devidas condições de serviço público de qualidade.

Caiado disse que vai reunir com as principais OS´s que tem contratos no estado para tomar conhecimento dos números versos qualidade e quantidade de atendimentos. A tendência é de continuidade, mas com novo rigor e cobrança de resultados, que deverão ser traçados e anunciados publicamente já nos primeiros meses de governo.

REFORMA ADMINISTRATIVA

Dentre os principais desafios, a reforma administrativa é considerada vital para o sucesso do novo governo. Caiado poderá anunciar mudanças em órgãos da administração direta e em entidades de organização indireta. Isto porque, segundo apurou o GOYAZ, equipe de transição aponta para um estado grande e ineficaz. Caiado já teria demonstrado interesse em corrigir imediatamente gargalos e redimensionar secretarias. A equipe de governo de Caiado poderá conter nomes técnicos, mas, essencialmente, será formada por pessoas de confiança do governador eleito.  A grande responsabilidade do novo governo começa com nomes capazes de gerir o estado em sintonia com a liderança do governador.

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