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Capital

Crise superada por Iris Rezende na Prefeitura de Goiânia se assemelha à enfrentada por Ronaldo Caiado no Estado

Assim como o emedebista, que herdou um rombo de cerca de R$ 600 milhões no início da gestão, o que representava cerca de 20% da RCL da Prefeitura, o democrata, que assumiu o Estado em 1º de janeiro último, recebeu o caixa negativo em mais de R$ 3,4 bilhões, ou cerca de 17% da sua Receita Corrente Líquida

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Depois de dois anos enfrentando as consequências de uma grave crise financeira herdada da gestão anterior, o prefeito Iris Rezende anunciou no último dia 25, na Câmara Municipal de Goiânia, que as finanças do munício, finalmente, estão estabilizadas e a administração municipal em condições de alavancar os investimentos em obras para atender as demandas da população da Capital.

Segundo Iris, depois de receber a administração com R$ 600 milhões em dívidas imediatas e um déficit mensal na ordem de R$31 milhões, desequilíbrio causado, sobretudo, pelo déficit previdenciário que obrigava o município a aportar, todos os meses, algo em torno de R$ 35 milhões para o pagamento de inativos e pensionistas do Município, a Prefeitura chega ao final de 2018 com as contas equilibradas e o déficit sanado.

Iris lembra das dificuldades enfrentadas no início da gestão e o esforço desenvolvido para garantir que a máquina administrativa não parasse e, por consequência, que os serviços públicos não fossem afetados. Lembrou, também, que herdou uma folha da saúde em aberto e que a receita do ISS, imposto sobre serviços que geralmente é pago até o dia 10 do mês subsequente ao fato gerador, tinha sido antecipado para o dia 28 de dezembro de 2016, o que agravou ainda mais a situação.

Assim como aconteceu com Iris Rezende na Prefeitura, Ronaldo Caiado assumiu o Estado em meio a uma das mais sérias crises fiscal e financeira de que já se teve notícias em Goiás. O rombo do caixa chegou, segundo o democrata, a R$ 3,4 bilhões, ou cerca de 17% da Receita Corrente Líquida do Estado, e também com a folha de dezembro em atraso e sem recursos para quitá-la. Diferente de Iris, no entanto, Caiado ainda não conseguiu quitar a folha atrasada, o que, no caso da Prefeitura, foi feito nos primeiros dias do mês de janeiro de 2017.

Iris Rezende diz não haver mágica para a solução dos problemas. Acostumado a assumir gestões quebradas, embora lamente a postura de gestores que descumprem a Lei de Responsabilidade Fiscal, o prefeito de Goiânia assegura que para vencer uma crise dessa magnitude é preciso muito trabalho e, claro, competência de toda equipe.

De acordo com o emedebista, para que a despesa caiba dentro do orçamento da administração só existe duas coisas a fazer: aumentar a arrecadação e diminuir gastos. Em meio à execução de ações estratégicas, o gestor ensina que  medidas conjunturais devem ser implementadas. O controle de gastos e planos de arrecadação, como recuperação de ativos e combate à sonegação, foram fundamentais para que a Prefeitura chegasse ao final de 2018 com as contas equilibradas. Não necessariamente, leciona Iris Rezende, aumento de impostos é a saída mais eficaz para o aumento de receitas.

Assim como no Estado, hoje administrado por Ronaldo Caiado, o déficit previdenciário da Prefeitura de Goiânia era um dos principais gargalos da administração municipal. O déficit anual da previdência municipal chegava a cerca de 10% do orçamento total do município. O rombo na previdência do Estado, em 2018, superou os R$ 2,1 bilhões, algo, também, em torno de 10% do orçamento do Estado.

A identificação dos problemas, de fato, não é a parte mais difícil de uma gestão que herda tantas dificuldades. Na prática, entretanto, o que vai determinar o sucesso ou o fracasso da empreitada é, sem dúvidas, a competência, a determinação e a experiência do gestor, além de sua capacidade de envolver toda sua equipe de colaboradores na busca do objetivo proposto. Se as crises enfrentadas por Iris e Caiado se assemelham nas suas características, a experiência do primeiro não tem paralelo na política goiana, mas os dois gestores tem em comum a responsabilidade com a coisa pública, a honestidade e a boa-fé.

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