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Perfis do governo fazem publicações a favor de Bolsonaro

Contas oficiais em redes sociais mostraram apoiadores do presidente e mensagens de apoio, que acabaram apagadas

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As contas oficiais do governo federal em redes sociais como Instagram, Facebook e YouTube têm exibido imagens favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro e mensagens com a defesa de motes semelhantes aos da campanha dele.

A Constituição afirma, em seu artigo 37, que a publicidade  de atos e programas dos órgãos públicos deve ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, sem nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades.

Em uma série postada nas contas oficiais “Governo do Brasil” e “Planalto”, no Instagram, a equipe de comunicação do novo governo entrevistou e publicou fotos de diversos apoiadores do presidente durante a posse, no último dia 1º de janeiro. Vários usam camisas com o nome e a imagem de Bolsonaro estampado.

Além disso, as contas oficiais também repetem, em respostas a comentários, o tom que marcou a campanha vencedora das eleições.

“Até as crianças marcaram presença na posse presidencial”, diz a legenda da foto de uma criança com uma camisa da seleção brasileira que acompanha a cerimônia da posse, postada na conta “Planalto” do Instagram.

“É assim que começam o amor à pátria e a consciência de que todos devem trabalhar para um país melhor”, prossegue a mensagem.

Em outra postagem, da conta “Governo do Brasil”, uma garota veste uma camiseta que diz: “Sou mulher, sou guerreira, sou Bolsonaro”.

Em resposta ao comentário de uma pessoa sobre o sorriso da apoiadora do presidente, a conta oficial responde: “Esse é o sorriso de quem participou de um dia histórico. Agora, vamos escrever juntos uma nova história para nosso Brasil”.

 

Em outra postagem do Instagram, novamente de um apoiador na posse com camisa amarela, a conta oficial diz: “O Brasil está pronto para viver um novo ciclo!”.

Procurada pela reportagem nesta terça-feira (8), a Secretaria de Comunicação da Presidência retirou do ar pouco tempo depois parte das imagens.

Em resposta a um pedido de comentário, a secretaria atribuiu as postagens a um equívoco. “Foi uma falha técnica que já foi revista”, declarou a assessoria de comunicação.

No Facebook, a comunicação oficial usou a conta “Planalto” para divulgar a foto de uma família estampada sobre o tecido de uma camisa da seleção brasileira, para convidar: “Hoje é dia de um novo Brasil. #Vem para a posse”.

Diversos apoiadores, exaltando o novo presidente, também são entrevistados na conta “Governo do Brasil” no YouTube. “Tenho certeza de que ele [Bolsonaro] vai cumprir tudo o que prometeu”, afirma uma entrevistada.

Diogo Rais, professor de direito do Mackenzie e da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas), afirma que o artigo 37 da Constituição determina que não pode haver promoção pessoal com publicidade institucional.

“Por publicidade institucional, entende-se todos os canais de comunicação do governo”, afirma.

“Em todos os casos, haverá dinheiro público envolvido. Mesmo que seja no Instagram, existe uma pessoa fazendo esse trabalho, paga com recursos provenientes de impostos”.

Rais afirma que as normas sobre a comunicação oficial poderiam ser mais claras. “Temos poucas regras que definem o limite entre uma coisa e outra”, afirma

 

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Após receber alta do hospital, Bolsonaro chega a Brasília e segue agenda de ataques contra imprensa

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O presidente Jair Bolsonaro deixou o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, na tarde de segunda-feira (16) às 14h58, depois de receber alta. A movimentação para a saída da comitiva presidencial do hospital começou por volta das 14h.

Ao desembarcar em Brasília, o presidente usou de sua conta no Twitter para atacar órgão de imprensa.

Bolsonaro não gostou da matéria que insinua nova Reforma Ministerial, que poderia estar em debate entre congressistas

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Cerrado registra mais focos de queimadas do que a Amazônia nos primeiros dias de setembro

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Se for considerado o período anual, de 1º de janeiro a 9 de setembro, a floresta ainda tem mais registros de fogo. De acordo com especialistas, calor extra no Cerrado pode estar ajudando a disseminar os focos.
Por Carolina Dantas, G1

O Cerrado registrou mais focos de queimadas nos primeiros dias de setembro do que a Amazônia, fenômeno inverso ao que foi visto durante o mês de agosto e desde o início do ano.

Do dia 1º até esta segunda-feira (9), foram 7.304 focos no Cerrado, contra 6.200 na floresta amazônica. No acumulado ano ano, o bioma Amazônia acumula 53.023 focos contra 34.839 do Cerrado

Nos últimos 30 dias (de 9 de agosto a 9 de setembro), a Amazônia registrou 30.245 focos, contra 17.438 do Cerrado. A tendência de crescimento das queimadas neste segundo bioma começou apenas na última semana do mês.

Os dados são do banco do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e foram captados pelo satélite de referência Aqua.

Esse aumento no número de focos no Cerrado não foi visto no mesmo período de 2018. De acordo com o climatologista Carlos Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-pesquisador do Inpe, o fato provavelmente está relacionado a uma onda de calor que afeta o bioma nos últimos dias.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou um alerta de “Grande perigo” nesta terça-feira (10), que aponta risco para mais de 20 cidades do Mato Grosso, regiões do Cerrado. Há chance de a temperatura ficar pelo menos 5ºC acima da média nos próximos 5 dias.

“O que está acontecendo são dois fatores: o Cerrado está passando por uma rara onda de calor. É raríssimo este tipo de alerta [do Inmet]. Quando você tem este tipo de temperatura e uma baixíssima umidade, a situação do Cerrado fica muito inflamável” – Carlos Nobre, climatologista
De acordo com o pesquisador, há uma dinâmica no Cerrado. O bioma é adaptado ao fogo, mas não quando ele é aplicado em tamanha proporção pelos humanos. Existem árvores resistentes, mas não tão fortes a ponto de viver em um cenário tomado pelas queimadas.

“O Cerrado tem aquelas árvores com a casca resistente ao fogo. Tem 60% a 70% de cobertura de árvores, e 30% a 40% de cobertura de gramíneas, e, quando chega, o fogo atinge só as gramíneas, que depois crescem de novo. O Cerrado evoluiu milhões de anos. Mas hoje colocamos fogo demais e ele ainda não está preparado”.

Chuva
Assim como Nobre, Alberto Setzer, pesquisador do Programa Queimadas, diz que o fogo no Cerrado, e também na Amazônia, é de causa humana – intencional ou acidental. Ele explica que a única causa natural de fogo são os raios, fenômeno que ocorre durante a temporada de chuva no bioma. Não é o caso do Cerrado no momento.

Em uma análise dos dados do Inpe no início de setembro, constatou-se que ocorreu chuva em apenas em 176 dos 7.304 focos detectados pelo Aqua. O risco de fogo, previsto pelo instituto, era considerado crítico em 4.259 pontos de calor encontrados pelo satélite.

Os pesquisadores apontam que o calor e o tempo seco ajudam a “espalhar” o fogo, mas não a “criar” novos focos. O G1 mostrou em outra reportagem que a Amazônia apresentou neste ano os mais altos índices de chuva e de queimadas dos últimos quatro anos.

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