Racismo sistêmico: Palmares aponta avanços e alerta país

Racismo sistêmico: Palmares aponta avanços e alerta país: crime segue limitando oportunidades para a população negra brasileira, mesmo após seis décadas de mobilização por igualdade. A avaliação é do presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, que, neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, reconhece conquistas como as cotas raciais, mas insiste que o Brasil ainda enfrenta um “crime continuado, sofisticado e permanente”.
Rodrigues recorda o legado de líderes como Abdias Nascimento e Lélia Gonzalez e lista avanços obtidos desde a década de 1960: políticas afirmativas, criação do Ministério da Igualdade Racial e proteção de territórios quilombolas. Ainda assim, cita as chacinas em grandes centros urbanos como prova de que a morte de jovens negros mantém o país distante da justiça social.
Racismo sistêmico: Palmares aponta avanços e alerta país
Fundada em 1988, a Fundação Palmares prioriza hoje a preservação da Serra da Barriga, em Alagoas, berço do Quilombo dos Palmares. O local, transformado em Parque Memorial, ficou seis anos sem celebrações oficiais do 20 de novembro. A retomada foi marcada pelo reconhecimento do feriado nacional, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com apoio das ministras Anielle Franco e Margareth Menezes.
“Edificar a memória do povo brasileiro não é tarefa simples”, afirma Rodrigues. Ele aponta melhorias na infraestrutura e na oferta de informações a visitantes brasileiros e estrangeiros, destacando que o Brasil abriga a terceira maior população negra do planeta, atrás apenas de Nigéria e Etiópia.
Para o dirigente, reparações históricas estão em curso, “embora não na velocidade sonhada” pelos antepassados. Entre as exigências, ele cita melhor acesso a saúde, educação e segurança pública, áreas onde o racismo estrutural se manifesta de forma mais aguda.
Larissa Santiago, secretária-executiva do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), concorda que houve progresso. Ela credita à ampliação das cotas em universidades e no serviço público a maior presença de professores e profissionais negros, capazes de introduzir discussões sobre raça, classe e gênero em sala de aula. “A participação é notória, mas ainda precisamos de políticas que alcancem todas as regiões”, avalia.
Relatórios da Organização das Nações Unidas reforçam o diagnóstico: políticas transversais são essenciais para garantir direitos e reduzir desigualdades em saúde e segurança.
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Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil