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Impacto da suspensão da China à compra de frango brasileiro após foco de gripe aviária

Especialistas enfatizam que a decisão do governo chinês não é inédita e que, a partir deste momento, pode haver considerável especulação em torno das negociações para o restabelecimento da normalidade

Impacto da suspensão da China à compra de frango brasileiro após foco de gripe aviária: o primeiro foco de gripe aviária em granja comercial no Brasil, anunciado nesta sexta-feira (16), pode gerar impactos significativos no mercado.

A China anunciou a suspensão da compra de frango brasileiro por 60 dias. Caso essa decisão se mantenha, o governo brasileiro terá que reestruturar parte das exportações, considerando que aproximadamente 10% do frango nacional é destinado ao mercado chinês.

Impacto da suspensão da China à compra de frango brasileiro após foco de gripe aviária

Segundo Mauricio Palma Nogueira, diretor da Athenagro, a expectativa é que a decisão de Pequim seja revista antes do prazo de 60 dias, uma vez que, até o momento, apenas um caso isolado foi identificado em uma granja no Rio Grande do Sul.

Ademais, o especialista salienta que o cenário atual do mercado oferece condições favoráveis para que o governo brasileiro se adapte e minimize perdas substanciais.

“O impacto da venda de frango para a China é menor do que seria em caso de suspensão da compra de carne bovina, porque aí representa 40% do total exportado para os chineses. Portanto, a gente consegue diluir os destinos mais rapidamente, até porque a demanda por carnes no mundo está bem alta”, afirmou.

Nogueira pondera que o impacto se intensificaria caso a suspensão chinesa perdurasse e outros países adotassem medidas semelhantes, resultando em um excedente de frango brasileiro em busca de novos mercados.

Essa situação poderia levar, no curto prazo, a uma redução nos preços do frango no mercado interno. Contudo, o especialista aponta que, a médio prazo, haveria uma diminuição na produção de frango, invertendo esse efeito.

“Neste caso, teríamos um benefício ao consumidor brasileiro em um primeiro momento, mas depois precisaríamos de reestímulo ao setor, pois senão os preços passariam a subir”, explicou.

“É o que normalmente acontece nestes casos, como exemplo, nos dois casos de suspeita de vaca louca, em que o Brasil fez um autoembargo nas exportações de carne bovina para a China e ficou aguardando que os chineses avaliassem a situação para liberar os embarques. Quando os primeiros casos de gripe aviária no Brasil foram reportados em animais silvestres, o Japão suspendeu as importações”, relembrou Alê Delara, diretor da Pine Agronegócio.

No mercado, o setor exportador de carnes deve ser afetado pelas especulações, conforme avaliação de Alexandre Espírito-Santo, economista-chefe da Way Investimentos.

“O setor de proteína já está sendo penalizado nos últimos dias diante de algumas interrogações, e agora com essa notícia vai haver uma pressão para pior. Mas o mercado está subindo, então talvez não sinta tanto. Vai depender dos desdobramentos do caso”, concluiu.

Redação GOYAZ

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