
Governo otimista com resposta dos EUA à 2ª carta: a equipe econômica brasileira acredita que os Estados Unidos podem reagir de forma diferente à segunda carta enviada pelo Brasil sobre as tarifas de importação.
Interlocutores próximos às discussões avaliam que o cenário mudou. O Brasil ganhou destaque global devido à imposição da tarifa de 50%, um aumento significativo em relação aos 10% que estavam em vigor quando a primeira carta foi enviada. Por isso, a expectativa é que a chance de uma resposta à segunda tentativa seja maior.
Governo otimista com resposta dos EUA à 2ª carta
Quando a primeira carta foi enviada, o foco do debate tarifário estava entre China e Estados Unidos. Em abril, a Casa Branca havia divulgado que produtos chineses estavam sendo taxados em 245%.
No documento enviado aos EUA na última terça-feira (15), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores expressaram “indignação” com a tarifa de 50%. Eles reiteraram o interesse em receber comentários dos EUA sobre a proposta brasileira. A carta foi endereçada ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e ao representante comercial dos EUA, embaixador Jamieson Greer.
O governo brasileiro tem enfrentado desafios para estabelecer um canal de negociação com as autoridades norte-americanas. A carta recente é uma forma de pressionar o andamento das discussões.
Esforços Diplomáticos e Obstáculos
O Brasil realizou ao menos 10 reuniões com autoridades norte-americanas entre o anúncio da tarifa de 10% e o comunicado da taxa de 50%. Em maio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para discutir o assunto.
Apesar dos diálogos com os EUA, as decisões permanecem centralizadas em Donald Trump. A própria Embaixada dos EUA no Brasil não havia sido comunicada oficialmente sobre a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros.
O governo brasileiro manifesta disposição para negociar exaustivamente com os EUA todos os temas comerciais e econômicos. No comunicado oficial da tarifa de 50%, Trump fez referência a uma “caça às bruxas” ao citar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A tarifa de 50% entrará em vigor em 1º de agosto. O governo aguardará o andamento das negociações para, se necessário, solicitar uma extensão do prazo.
Na segunda carta enviada pelo Brasil, as autoridades brasileiras afirmam estar “prontas” para dialogar e negociar uma solução mutuamente aceitável sobre aspectos comerciais da agenda bilateral. No documento, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) argumenta que a tarifa trará impactos negativos para a economia americana.
O governo brasileiro deu continuidade nesta quarta-feira (16) aos encontros do comitê interministerial criado para definir a resposta brasileira à tarifa de 50%. O MDIC já consultou representantes da indústria, dos serviços e do agronegócio sobre o tema.