
Produtos brasileiros contribuem para inflação dos EUA: a inflação nos Estados Unidos registrou alta em junho, alcançando o maior patamar em quatro meses. O aumento de preços, incluindo os decorrentes de tarifas, teve um impacto mais significativo.
Os preços ao consumidor subiram 0,3% no mês passado, levando a taxa de inflação anual para 2,7%, a mais alta desde fevereiro.
Esperava-se que os dados de junho marcassem um ponto de virada, com as tarifas deixando uma pegada ainda maior na inflação. No entanto, o alcance e a duração do impacto das tarifas na inflação ainda são incertos.
Produtos brasileiros contribuem para inflação dos EUA
Economistas, como Heather Long da Navy Federal Credit Union, alertam que os impactos relacionados às tarifas estão apenas começando. Segundo ela, embora o efeito não tenha sido tão severo quanto o esperado, ele é visível nos dados. “Isso parece o primeiro inning, os estágios iniciais do que provavelmente será um número cada vez maior de itens apresentando aumento de preço”, disse Long.
Ela destacou o aumento dos preços do café e da laranja em junho. Essas categorias, já afetadas por questões climáticas, também devem sofrer pressão adicional das tarifas. Ambos os produtos são importantes exportações brasileiras para os EUA. O café é o terceiro item mais vendido, totalizando US$ 1,172 bilhão entre janeiro e junho deste ano. Sucos de frutas, com predominância da laranja, são o sexto item, somando US$ 743 milhões.
O CPI apurou que o preço do café subiu 2,2% nos EUA no último ano, enquanto o de frutas cítricas aumentou 2,3%, superando a meta de 2% do Federal Reserve (Fed). Long ressaltou a importância desses itens, afirmando: “Você não compra uma máquina de lavar nova toda semana, mas compra frutas e vegetais”.
Reação e Dados Gerais
Na terça-feira, o ex-presidente Donald Trump celebrou a queda dos preços ao consumidor, e autoridades da Casa Branca minimizam o efeito das tarifas sobre a inflação geral. Trump pediu ao Fed que cortasse as taxas de juros.
Os dados de inflação estiveram alinhados com as previsões de economistas. Eles esperavam que o aumento dos preços do gás impulsionasse o índice geral, o que de fato ocorreu. Também antecipavam que uma gama mais ampla de produtos mostraria o efeito das empresas repassando os custos de importação mais altos aos consumidores, o que também se confirmou.
Excluindo gás e alimentos, que tendem a ser voláteis, o núcleo do CPI ficou abaixo das expectativas, subindo 0,2% em relação a maio e 2,9% nos 12 meses encerrados em junho. Contudo, isso representa uma aceleração em comparação com os 0,1% e 2,8% registrados no mês anterior.