
Goiás mapeia potencial de Terras Raras em municípios: Goiás se posiciona como um dos estados com potencial para a exploração de Terras Raras.
Goiás mapeia potencial de Terras Raras em municípios
A riqueza mineral, presente em diversas regiões, pode impulsionar a economia local e colocar o estado em destaque no cenário nacional e internacional.
Entre os municípios que se destacam por sua ocorrência estão Catalão e Iporá, localizados em áreas ricas em carbonatitos.
Além de Catalão e Iporá, outros municípios em Goiás têm grande potencial para a exploração de Terras Raras, o que reforça a posição estratégica do estado na cadeia de minerais críticos. A riqueza mineral goiana atrai o interesse de empresas e investidores nacionais e internacionais.
Municípios com potencial de exploração
A exploração em Minaçu, por exemplo, já é uma realidade com a atuação da empresa Serra Verde Pesquisa e Mineração. Além desses, outras localidades se destacam por seus depósitos:
- Nova Roma: Considerado o município com o maior potencial para a exploração de terras raras pesadas, que são ainda mais valiosas para a indústria de alta tecnologia.
- Mara Rosa: Também é citada como um dos municípios com potencial para exploração em larga escala.
A incipiente produção brasileira de terras raras ganha destaque em um cenário de tensão global. A preocupação em torno da cadeia produtiva desses minerais aumentou após a China, que domina o setor, restringir suas exportações em resposta às tarifas impostas por Donald Trump.
O movimento acendeu o alerta em diversos países que dependem desses elementos para a indústria de alta tecnologia.
O domínio da China e a importância dos superímãs
A China é um ator dominante na indústria de terras raras, controlando mais de 90% da produção de superímãs. Esses componentes, essenciais em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, e equipamentos militares como caças e mísseis, dependem dos minerais para funcionar. Por isso, a restrição chinesa nas exportações pode impactar diretamente setores estratégicos no mundo todo.
Minaçu: de amianto a terras raras
No Brasil, a produção de terras raras está concentrada na pequena cidade de Minaçu, a 382 quilômetros de Brasília. Desde o início de 2024, uma mineradora multinacional, controlada por um fundo privado americano, explora uma vasta área na serra local para extrair e exportar terras raras — ironicamente, para a China.
Para os 27 mil habitantes de Minaçu, a nova exploração mineral representa a promessa de um recomeço. A cidade, que antes prosperava com a extração de amianto, viu sua economia ameaçada em 2017.
Naquele ano, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a produção e o comércio do mineral em todo o país devido aos riscos à saúde. A proibição foi um baque, já que o amianto é restrito ou banido em mais de 65 países.
Minaçu até conseguiu retomar a produção em menor escala para exportação, graças a uma lei estadual de 2019. Contudo, essa legislação está sob julgamento no STF há seis anos, mantendo a economia local em um limbo. A descoberta e a exploração das terras raras, nesse contexto, surge como uma nova esperança para o futuro econômico da cidade.
A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) tem mapeado essas áreas para atrair novos investimentos, mas destaca que apenas 35% do solo goiano foi estudado até agora. Outros municípios, como Rio Verde, Niquelândia, Luziânia e Jataí, também possuem ocorrências de minerais de terras raras, o que aponta para um potencial ainda inexplorado em diversas regiões do estado.
O que são Terras Raras e por que são tão importantes?
As Terras Raras são um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica, com propriedades únicas e insubstituíveis em diversas tecnologias.
Embora não sejam tão raras na crosta terrestre como o nome sugere, sua extração em concentrações economicamente viáveis é complexa.
O interesse crescente por esses minerais se deve à sua vasta aplicação em produtos de alta tecnologia e que sustentam a economia moderna, como:
- Tecnologia e eletrônicos: ímãs superpotentes para smartphones, discos rígidos e televisores.
- Energia verde: turbinas eólicas e carros elétricos dependem de Terras Raras para seus motores e geradores.
- Defesa e aeroespacial: lasers, sistemas de radares e equipamentos de navegação.
- Medicina: equipamentos de ressonância magnética e diagnósticos por imagem.
A crescente demanda por esses elementos, impulsionada pela transição energética e pelo avanço tecnológico, faz com que os países que dominam sua produção tenham uma vantagem estratégica global.
O papel de Goiás na produção nacional
No Brasil, a produção de Terras Raras ainda é incipiente, mas com potencial de crescimento. A empresa Serra Verde Pesquisa e Mineração já opera em Minaçu, no norte de Goiás, e o governo goiano tem buscado atrair mais investimentos para o setor.
A exploração dessas jazidas em Goiás pode ser um fator decisivo para a competitividade do Brasil no mercado global. O estado, por meio da Secretaria de Indústria e Comércio, tem mapeado áreas e articulado com o setor privado para desenvolver a cadeia produtiva.
O objetivo é não apenas extrair o minério, mas também agregar valor, com o processamento e a produção de componentes no próprio estado, gerando empregos qualificados e renda.
A exploração, no entanto, deve ser feita com responsabilidade. A extração de Terras Raras envolve processos complexos e, se não for bem planejada, pode gerar impactos ambientais.
Portanto, o grande desafio para Goiás é conciliar o potencial econômico com as práticas de mineração sustentável, garantindo que a riqueza do solo se reverta em benefícios duradouros para a população.