China estuda impor exigências ambientais similares às da União Europeia para importação de carne

A China, principal compradora da carne bovina produzida no Brasil, avalia adotar critérios ambientais inspirados na recém-aprovada lei antidesmatamento da União Europeia. A informação foi revelada por Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade da Marfrig, durante debate da São Paulo Climate Week, realizado na última sexta-feira, 8 de setembro.
Segundo Pianez, uma delegação numerosa do governo chinês visitou recentemente instalações da Marfrig para discutir possíveis requisitos de rastreabilidade da cadeia pecuária. “Eles pensam em fazer exigências desse tipo também”, afirmou o executivo, sinalizando que o maior rigor ambiental deve se tornar tendência global.
A observação ocorre no momento em que empresas brasileiras que exportam produtos agropecuários se ajustam à legislação europeia. O regulamento da UE determina que itens como carne bovina, couro, soja e café só poderão entrar no bloco se comprovarem que não provêm de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. O descumprimento implica bloqueio comercial.
Pianez comentou que, diante desse novo cenário, o setor precisa se adaptar rapidamente: “Quando há uma realidade de mercado desse tipo, é muito pouco provável que seja desfeita”. Para ele, qualquer estratégia de exportação deverá considerar a adoção de sistemas de monitoramento ambiental mais robustos.
Atualmente, a China representa a maior fatia das vendas externas da carne bovina brasileira. Caso Pequim oficialize requisitos semelhantes aos europeus, frigoríficos e produtores rurais terão de comprovar, por meio de registros de origem e sistemas de rastreabilidade, que a mercadoria não está vinculada a desmatamento recente.

Imagem: cnnbrasil.com.br
Até o momento, o governo chinês não divulgou prazos ou detalhes sobre as possíveis regras. A sinalização, entretanto, reforça a percepção de que mercados estratégicos caminham para alinhar suas políticas comerciais a metas climáticas internacionais.
Com informações de CNN Brasil