Monica Seles revela conviver com miastenia gravis e fala em “período muito difícil”

Dona de nove títulos de Grand Slam, a ex-tenista Monica Seles revelou ter sido diagnosticada há três anos com miastenia gravis, doença autoimune crônica que provoca fraqueza muscular. A informação foi dada em entrevista ao programa “Good Morning America”, exibida nesta semana.
Segundo a ex-jogadora, os primeiros sinais apareceram na forma de fraqueza intensa nos braços e pernas, além de visão dupla. Seles afirmou que, por conhecer bem o próprio corpo, percebeu rapidamente que os sintomas fugiam do padrão. O diagnóstico, contou, trouxe alívio por finalmente nomear o problema, mas também significou o início de um novo desafio cotidiano.
Seles explicou que atividades antes simples tornaram-se complexas. Ela citou, por exemplo, a necessidade de aprender “novas maneiras de fazer as malas” para conseguir viajar. A atleta disse ainda ter sentido solidão e isolamento no processo de adaptação à nova realidade.
A ex-número 1 do mundo decidiu tornar público o estado de saúde às vésperas do US Open, torneio que começa em 18 de agosto, em Nova York. Ao lado da farmacêutica Argenx, Seles pretende usar a visibilidade do evento para ampliar a conscientização sobre a miastenia gravis.
Carreira marcada por conquistas e superação
Monica Seles começou a praticar tênis aos seis anos, sob orientação do pai, Karolj Seles, e venceu o primeiro torneio aos nove. Aos 14, disputou o primeiro campeonato oficial, em 1988. No ano seguinte, ingressou integralmente no circuito profissional e levantou seu primeiro título. Entre 1990 e 1996, conquistou nove troféus de Grand Slam, consolidando-se como uma das maiores jogadoras da história.
Em 1993, durante partida em Hamburgo, Seles sofreu um ataque de um espectador, episódio que resultou em ferimentos físicos e abalo emocional. A agressão interrompeu sua trajetória por mais de dois anos e tornou-se um dos momentos mais dramáticos do esporte.
A ex-tenista encerrou a participação na entrevista destacando que reconhecer precocemente os sinais da doença pode fazer diferença no tratamento e na qualidade de vida dos pacientes.