Tarifaço de Trump: governo busca acordos e diversificação

Tarifaço de Trump: governo busca acordos e diversificação
Tarifaço de Trump leva o governo brasileiro a acelerar a assinatura de novos acordos comerciais e a ampliar mercados para exportadores, numa tentativa de mitigar os impactos das tarifas norte-americanas.
Foco em novos parceiros econômicos
No plano apresentado em Brasília, o Executivo afirma não ser viável substituir totalmente o consumo dos Estados Unidos, mas reforça que diversificar destinos reduzirá a exposição das empresas nacionais. Entre as frentes prioritárias está a conclusão do acordo de livre comércio entre Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
O texto prevê liberalização tarifária gradual para setores industrial e agrícola, respeitando particularidades de cada mercado. Outro ponto chave é expandir o limitado acordo preferencial em vigor com a Índia, que hoje cobre apenas 14% das exportações brasileiras e oferece cortes tarifários de 10% a 20% em 450 categorias de produtos.
Potencial de exportação para Índia, China e Oriente Médio
Após conversa telefônica, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, sinalizou apoio a uma ampliação do tratado com o Mercosul. A equipe econômica enxerga espaço para elevar embarques de óleos vegetais, algodão, feijões, etanol, genética bovina e frutas ao país mais populoso do mundo.
Em 2 de abril, a China liberou 183 empresas brasileiras para vender café, produto que também surge como aposta para o mercado indiano. Já a Arábia Saudita, que importou US$ 487 milhões em carne bovina desossada congelada em 2024, é vista como oportunidade adicional de US$ 54 milhões anuais: o Brasil possui 140 frigoríficos habilitados, maior número entre os fornecedores.
Vietnã e Singapura completam a lista de destinos promissores para proteína animal, em especial após o governo vietnamita autorizar em março a entrada do produto brasileiro.

Medida Provisória e trâmite no Congresso
Paralelamente às negociações, a Medida Provisória que concede auxílio financeiro a empresas afetadas pelo tarifaço já vigora, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), participaram do anúncio, sinalizando apoio suprapartidário. Em publicação nas redes, Motta classificou o tema como essencial para proteger empregos e consumidores.
Segundo especialistas da Organização Mundial do Comércio, diversificar mercados é estratégia comum para países impactados por barreiras tarifárias, pois reduz dependência de um único parceiro e fortalece as cadeias produtivas internas.
Com a combinação de incentivos financeiros e ofensiva diplomática, o governo espera amortecer perdas e reafirmar a competitividade brasileira. Para acompanhar outros desdobramentos sobre políticas comerciais, visite nossa editoria de Política e fique por dentro.
Crédito da imagem: EBC