Europa teme acordo Trump e Putin reacenda crise na Ucrânia

Europa teme acordo Trump e Putin reacenda crise na Ucrânia
Europa teme acordo Trump e Putin colocar em risco a integridade territorial da Ucrânia, enquanto os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia se reúnem nesta sexta-feira (15) no Alasca, sem a presença de Volodymyr Zelensky.
Troca de territórios amplia tensão europeia
O primeiro receio dos líderes europeus é que Vladimir Putin convença Donald Trump a pressionar Kiev a ceder oficialmente as regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhia, Kherson e a Crimeia, anexada em 2014. Juntas, essas áreas representam quase 20% do território ucraniano. Nas últimas semanas, o Exército russo avançou no leste e cortou linhas de suprimento, reforçando a narrativa do Kremlin de que “a paz deve refletir a realidade no terreno”. Às vésperas do encontro, Trump afirmou que “haverá alguma troca de terras”, indicando disposição para um acerto territorial.
Unidade ocidental sob ameaça
Diplomatas em Bruxelas alertam que o apoio militar dos EUA poderá ser condicionado por Trump à aceitação de um novo mapa fronteiriço, o que racharia a frente ocidental montada desde 2022. Para a União Europeia, rediscutir fronteiras pela força remete à Conferência de Yalta (1945) e abriria uma crise de confiança quase irreversível com Washington. Sem ajuda americana, analistas militares estimam que a resistência ucraniana perderia capacidade de sustentar longos combates, cenário que preocupa a OTAN; a organização reafirmou em nota oficial o compromisso de defender cada centímetro de território aliado (NATO).
Possível incentivo a novas invasões
Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia veem na possível concessão de terras um convite a futuras agressões russas, lembrando intervenções anteriores na Geórgia (2008) e na própria Ucrânia (2014 e 2022). Embora poucos especialistas prevejam um acordo imediato no Alasca, qualquer entendimento preliminar entre Trump e Putin pode estabelecer precedentes duradouros que alterem o equilíbrio de segurança no continente.
Enquanto os olhos do mundo acompanham a cúpula, a Europa mantém a pressão diplomática para evitar concessões unilaterais e promete, nos bastidores, reforçar o apoio a Kiev caso os EUA recuem. A posição final de Trump deverá delinear não apenas o futuro da guerra, mas também o papel de Washington na defesa europeia.

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Crédito da imagem: CNN Brasil