Chacina de Osasco: ato marca 10 anos de luto e cobrança

Chacina de Osasco: ato marca 10 anos de luto e cobrança
Chacina de Osasco: ato marca 10 anos de luto e cobrança e reuniu, na tarde de sábado (16), familiares das vítimas e movimentos da sociedade civil em Barueri (SP) para lembrar os 19 jovens assassinados por policiais militares em 13 de agosto de 2015.
Familiares exigem justiça e indenização
No encontro organizado pela Associação 13 de Agosto e pelo movimento Mães de Osasco e Barueri, mães como Antônia Lúcia Gomes da Silva relataram perdas e dificuldades. Ela, que perdeu o filho Jailton Vieira da Silva, contou ter se mudado de Embu-Guaçu para criar os três netos órfãos e afirma não ter recebido qualquer reparação do Estado.
Aparecida Gomes da Silva Assunção, mãe de Leandro Pereira Assunção, criticou a falta de punição exemplar: “Quando houver pena severa, talvez pare de acontecer”. Rosa Francisca Correa, que perdeu Wilker Thiago Correa Osório, reforçou o sentimento de luto permanente entre as famílias.
Condenações e absolvições polêmicas
Dois anos após a chacina, quatro agentes de segurança foram julgados. Os ex-PMs Fabrício Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain receberam penas de 255 e 247 anos de prisão, respectivamente. O guarda civil Sérgio Manhanhã foi condenado a 100 anos, enquanto o ex-PM Victor Cristilder dos Santos pegou 119 anos. Recursos, porém, resultaram na absolvição de Manhanhã e Cristilder em 2017, alimentando a sensação de impunidade.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública paulista, o inquérito conduzido pelo DHPP indiciou oito suspeitos—sete PMs e um GCM—e todos os militares foram expulsos da corporação.

Imagem: Paulo Pinto
Memória coletiva e mobilização
Representantes de coletivos de outras chacinas, como Mães de Maio (Baixada Santista) e Mães de Manguinhos (Rio de Janeiro), apoiaram a manifestação. O ato reforçou pedidos de políticas de segurança que previnam execuções e garantam responsabilização. Organizações como a Human Rights Watch alertam que a punição efetiva é fundamental para reduzir a letalidade policial.
O encontro encerrou-se com um minuto de silêncio e a promessa de novas ações até que as famílias recebam pensões e indenizações anunciadas.
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Crédito da imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil