Bolsonaro teve acesso à defesa de general, diz PF

Bolsonaro teve acesso à defesa de general, diz PF. A Polícia Federal afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro visualizou antecipadamente o documento protocolado pelos advogados do general Mário Fernandes, réu no inquérito sobre suposta trama golpista.
Segundo relatório policial, um arquivo com o mesmo número de páginas e conteúdo idêntico ao entregue ao Supremo Tribunal Federal foi localizado no celular de Bolsonaro, apreendido durante as investigações sobre sanções dos Estados Unidos.
Bolsonaro teve acesso à defesa de general, diz PF
A PF detalha que o documento foi criado no aparelho do ex-presidente cerca de uma hora antes de ser protocolado pela defesa de Fernandes no STF. A corporação concluiu que Bolsonaro manteve contato indevido com o militar, violando medida cautelar que proíbe troca de informações entre os investigados.
Contexto da investigação
Mário Fernandes, preso desde novembro de 2024, foi secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência no último governo. De acordo com a PF, ele elaborou o arquivo “Punhal Verde e Amarelo”, que descrevia suposto plano para sequestrar ou assassinar autoridades como o ministro Alexandre de Moraes e o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Documento encontrado no celular
O relatório ressalta que a “notória semelhança” entre os arquivos demonstra “continuidade da estrutura hierárquica” entre os investigados. Conforme informações do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro e os demais réus permanecem proibidos de se comunicar.
Restrições judiciais
Os investigadores sustentam que a submissão prévia da peça processual reforça o vínculo de confiança entre Bolsonaro e Fernandes, mesmo após as determinações judiciais. A PF também mencionou áudio em que o general relata ter recebido aval presidencial para um eventual golpe até 31 de dezembro de 2022.
Defesa de Bolsonaro
Em nota, os advogados do ex-presidente disseram ter sido surpreendidos pelo indiciamento e prometeram prestar esclarecimentos ao ministro Alexandre de Moraes. Já Mário Fernandes declarou, em depoimento, que o documento era apenas “um pensamento digitalizado” e negou intenção de executar qualquer ação violenta.
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Valter Campanato/Agência Brasil