Shonda Rhimes encara Bridgerton como drama de trabalho

Shonda Rhimes encara Bridgerton como drama de trabalho — a criadora de sucessos como “Grey’s Anatomy” e “Scandal” afirmou, no Festival de TV de Edimburgo, que a série de época da Netflix vai além do romance e deve ser lida como um “drama de ambiente de trabalho”.
A roteirista norte-americana, de 55 anos, argumentou que as mulheres retratadas no período regencial britânico concentram poder apenas na escolha do casamento, transformando os salões de baile no verdadeiro “escritório” onde disputas, alianças e estratégias são traçadas.
Shonda Rhimes encara Bridgerton como drama de trabalho
A declaração surgiu quando Rhimes foi questionada sobre o que a atraiu ao universo criado pela escritora Julia Quinn. “Eu não me vejo como fã de romances, mas reconheci ali um espaço onde eu, mulher negra do século XXI, conseguia me identificar”, comentou. Segundo a produtora executiva, essa característica garante universalidade à narrativa, hoje transformada em fenômeno cultural com bailes, casamentos e até utensílios domésticos inspirados em Bridgerton.
Rhimes contou também que descobriu a coleção de livros de Quinn enquanto estava doente em casa. “Mesmo febril, saí da cama para comprar todos os volumes”, relembrou. O investimento rendeu: lançada em dezembro de 2020, a série tornou-se uma das maiores audiências globais da plataforma de streaming e consolidou-se como marca de estilo de vida.
Apesar do êxito, a roteirista demonstrou cautela ao projetar o futuro da televisão. Em entrevista recente à Variety, ela observou que o consumo de vídeo entre os mais jovens se concentra em formatos curtos, impulsionados por redes como YouTube. “Sempre haverá histórias, mas não sei em qual formato elas existirão”, disse.
No mesmo painel em Edimburgo, Rhimes admitiu que roteiristas iniciantes enfrentam cenário incerto: “Eu estaria um pouco mais apreensiva se começasse hoje”, confessou, referindo-se às rápidas transformações tecnológicas e às mudanças na cadeia de produção audiovisual.
A visão de Shonda Rhimes sobre Bridgerton reforça o debate sobre representatividade e empowerment feminino em narrativas históricas, adicionando nova camada de interpretação ao sucesso da Netflix.
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Crédito: Divulgação/Netflix