Previsão de inflação cai pela 13ª semana, chegando a 4,86%
A queda na inflação é um resultado esperado da Selic alta, mas o especialista Fabiano Tavares alerta para sinais de desaceleração da economia

Previsão de inflação cai pela 13ª semana, chegando a 4,86%: a previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), caiu pela 13ª semana consecutiva, passando de 4,95% para 4,86% para este ano.
A estimativa, divulgada no Boletim Focus desta segunda-feira (25) pelo Banco Central (BC), reflete um cenário de otimismo. Para 2026, a projeção da inflação também recuou de 4,4% para 4,33%, enquanto para 2027 e 2028 as previsões são de 3,97% e 3,8%, respectivamente.
Previsão de inflação cai pela 13ª semana, chegando a 4,86%
O especialista em mercado financeiro, Fabiano Tavares, avalia que essa queda é um resultado esperado do ciclo de Selic alta. Ele ressalta que, embora a inflação esteja em queda, há sinais de desaceleração da economia.

“Para 2026, o mercado vê a inflação ainda mais baixa, mas o crescimento do PIB perde ainda mais força. Isso indica que a economia tende a desacelerar antes de se beneficiar de juros menores, que só devem começar a cair no próximo ano”, explica Tavares.
Ele também destaca que o mercado deve agir com cautela, pois o cenário combina o alívio de uma inflação mais controlada com a preocupação em relação ao ritmo de crescimento, agravado pelos efeitos de tarifas dos Estados Unidos sobre o Brasil. Para as empresas, o desafio é gerenciar margens e liquidez em um contexto de juros elevados e demanda enfraquecida.
“Seguimos atentos em oferecer soluções de crédito que ajudem as companhias a atravessar esse período sem comprometer investimentos e competitividade”, pontua o especialista.
Inflação Acima da Meta e a Estratégia do Banco Central
Apesar da queda, a estimativa para este ano continua acima do teto da meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que estabelece um teto de 4,5%.
Em julho, o IPCA oficial, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fechou em 0,26%, impulsionado pelo encarecimento da conta de energia. No entanto, a queda de preços dos alimentos pelo segundo mês consecutivo ajudou a segurar o índice. No acumulado em 12 meses, o IPCA alcançou 5,23%, bem acima do teto da meta.
Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano. Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC interrompeu o ciclo de sete altas consecutivas na Selic, sinalizando um respiro para a economia.
No entanto, o Copom comunicou que, embora a intenção seja manter os juros básicos por enquanto, uma nova elevação não está descartada caso seja necessário.
Analistas preveem que a Selic encerre 2025 em 15% ao ano, caindo para 12,5% ao ano em 2026, e alcançando 10,5% e 10% nos anos de 2027 e 2028, respectivamente. Quando o Copom eleva a taxa de juros, o objetivo é conter a demanda, já que o crédito se torna mais caro e a poupança é estimulada. Contudo, essa estratégia pode dificultar a expansão econômica.
A redução da Selic, por outro lado, tende a baratear o crédito, incentivando o consumo e a atividade econômica, mas exige atenção para não comprometer o controle inflacionário.