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Internação forçada em Goiânia: mãe, irmã e donos indiciados

Relatos de vítimas indicam que os pacientes eram forçados a realizar tarefas, medicados com sedativos e agredidos. A unidade foi interditada e continua sob investigação sanitária

Internação forçada em Goiânia mobilizou a Polícia Civil de Goiás (PCGO), que indiciou seis pessoas, entre elas a mãe e a irmã de uma servidora do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e os proprietários de uma clínica psiquiátrica clandestina na capital. A vítima foi internada contra a vontade em maio, dias antes de uma audiência sobre divisão de bens, e permaneceu menos de 24 horas no local após denúncia do marido.

As investigações ouviram 22 testemunhas. Segundo a delegada Gabriela Adas, os irmãos Leonardo e Christiano Carneiro, donos da clínica, responderão por associação criminosa, lesão corporal e 22 crimes de cárcere privado. Já Eliane de Paula Souza e Isabela de Paula Silva, mãe e irmã da servidora, foram indiciadas por sequestro, furto e coação no curso do processo.

Internação forçada em Goiânia: mãe, irmã e donos indiciados

A defesa de Eliane e Isabela afirma que o indiciamento “é equivocado e desconsidera indícios de inocência”. O advogado Samuel Maia de Aquino sustenta que a presunção de culpa “mancha a honra” da família e ressalta que apenas a Justiça poderá definir responsabilidades.

De acordo com a PCGO, a operação começou após o marido da servidora registrar desaparecimento e encaminhar à polícia mensagem enviada pela esposa de dentro do carro em que era levada. Funcionários da clínica teriam bloqueado o veículo e, em seguida, imobilizado a vítima. Na época, além dos proprietários, foram presos a enfermeira Rosane Oliveira e a funcionária Andiara Costa. Christiano Carneiro cobraria R$ 500 por cada captura de paciente.

A corporação apura outros casos semelhantes em Goiás e em outros Estados. Relatos das vítimas indicam que pacientes eram obrigados a realizar tarefas, medicados com substâncias sedativas e agredidos. A unidade foi interditada e permanece sob investigação sanitária.

A internação compulsória no Brasil é regulada pela Lei 10.216, que exige laudo médico e autorização judicial — requisitos que, segundo a PCGO, não existiam no episódio de Goiânia.

O inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que poderá oferecer denúncia ou pedir novas diligências. Enquanto isso, os indiciados aguardam em liberdade, exceto aqueles já presos em flagrante.

Para acompanhar desdobramentos deste caso e outras notícias da capital, visite nossa editoria de Cidades e continue informado.

Crédito da imagem: PCGO/Divulgação

Redação GOYAZ

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