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Presídio da Papuda: de fazenda goiana a mega complexo

Presídio da Papuda, principal complexo penitenciário do Distrito Federal, ocupa um território que, até a construção de Brasília, pertencia a Luziânia (GO). O local, parte dos 7 mil alqueires da antiga Fazenda Papuda, virou símbolo do sistema prisional brasileiro e hoje concentra cerca de 12 mil detentos divididos em cinco unidades.

Inaugurado em 16 de janeiro de 1979, o centro começou com apenas 10 agentes e capacidade para 240 presos. Ao longo de quatro décadas, recebeu políticos como Natan Donadon, Paulo Maluf, Luiz Estevão, José Dirceu e Geddel Vieira Lima, além de investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Presídio da Papuda: de fazenda goiana a mega complexo

A origem do terreno remete à pecuária de leite. Na década de 1950, a fazenda era maior que a soma das áreas de Taguatinga, Águas Claras e Recanto das Emas. A desapropriação ocorreu com a criação da capital federal, transformando o antigo pasto em área de segurança máxima.

O nome “Papuda” carrega folclore. Moradores relatam que uma mulher com bócio — o “papo” no pescoço — viveu na região, inspirando a alcunha que atravessou gerações. Documentos do Arquivo Público do DF confirmam que a denominação já existia antes mesmo dos atuais proprietários, indicando a incidência da doença até meados dos anos 1950.

Hoje, parte das terras originais abriga a cidade de São Sebastião e pequenas propriedades rurais. O complexo, entretanto, mantém o protagonismo na crônica policial: dos 73 envolvidos no 8/1 ainda detidos, oito já foram condenados, 33 denunciados pela Procuradoria-Geral da República, dois transferidos para hospital psiquiátrico e outros aguardam julgamento ou seguem sob investigação, inclusive policiais militares acusados de omissão.

O cenário reflete desafios apontados pelo Conselho Nacional de Justiça, que monitora superlotação e condições de custódia em todo o país. Na Papuda, a população carcerária supera em quase 50 vezes a lotação projetada na inauguração.

No passado, a fazenda chegou a abrigar um quilombo, reforçando o valor histórico do local. Hoje, entre muros altos e holofotes, o presídio conserva lembranças de séculos de ocupação humana enquanto segue no centro de decisões judiciais de repercussão nacional.

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Foto: Arquivo Público do Distrito Federal

Redação GOYAZ

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