Brasileiro morto na guerra da Ucrânia enviou áudio final
Bruno foi recrutado por meio de grupos em redes sociais, com promessas de salários de até R$ 30 mil e despesas de alimentação, hospedagem e transporte custeadas pelo governo da Ucrânia

Brasileiro morto na guerra da Ucrânia deixou uma última mensagem de voz à esposa, poucas horas antes de cair em combate, garantindo que “voltaria em breve”. Bruno de Paula Carvalho Fernandes, 29 anos, natural de Governador Valadares (MG), atuava na linha de frente ao lado de três colegas – dois ucranianos e um conterrâneo, que sobreviveu, mas segue internado em estado grave.
O áudio, enviado a Cecília Fernandes, mostra o mineiro tranquilo e confiante: “Não é uma despedida, jamais. Daqui a uns dias estarei de volta. Deus é conosco”, disse. A notícia da morte chegou pela integrante da equipe ucraniana com quem Bruno lutava.
Brasileiro morto na guerra da Ucrânia enviou áudio final
Segundo a família, Bruno foi recrutado em grupos de redes sociais que prometiam salários de até R$ 30 mil, além de custos de alimentação, hospedagem e transporte pagos pelo governo ucraniano. Para financiar a viagem, ele vendeu o carro e, já na Ucrânia, foi registrado oficialmente como soldado.
A decisão de partir foi mantida em sigilo mesmo de parentes próximos. Ele embarcou em fevereiro deste ano e completou 29 anos em território ucraniano, em junho. Antes do alistamento, trabalhava como técnico de enfermagem em hospitais de Mantena e Governador Valadares, onde atuou na linha de frente contra a Covid-19.
Pouco após chegar, Bruno foi baleado diversas vezes, inclusive na cabeça, e ficou internado em uma UTI. Sem total recuperação, retornou ao front sob obrigação, relatou Cecília. Ele morreu justamente no dia em que voltou ao combate, atingido na cabeça e nas pernas.
Bruno deixou dois filhos: uma menina de seis anos, criada desde a gestação, e um menino de cinco anos, seu filho biológico. O corpo permanece em área de difícil acesso, segundo relatos de colegas que ainda atuam no conflito.
A família aguarda orientações do Itamaraty para o traslado. O órgão já havia divulgado alerta consular desaconselhando a participação de brasileiros em conflitos no exterior, conforme nota citada pela BBC.
No Brasil, o episódio reacende o debate sobre a ida de civis para guerras estrangeiras. Especialistas destacam os riscos humanitários e legais envolvidos, além da dificuldade de resgate em zonas de combate.
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Crédito da imagem: Farol da Bahia / Reprodução do Instagram