PCC: operação investiga postos de combustível e fintech

Postos de combustível ligados ao PCC estão no centro da Operação Spare, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) na manhã desta quinta-feira (25/9). A ação mobiliza 25 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santo André, Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco, apurando venda de combustíveis adulterados, exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro por meio da fintech BK Bank.
De acordo com o MPSP, o núcleo financeiro do esquema movimentou milhões de reais entre 2020 e 2024 usando laranjas, sociedades em conta de participação e maquininhas de cartão. A Receita Federal constatou que 267 postos ativos giraram R$ 4,5 bilhões, mas recolheram apenas 0,1% em tributos federais.
PCC: operação investiga postos de combustível e fintech
No topo da lista de investigados está Flávio Silvério Siqueira, apontado como articulador da rede de postos, casas de jogos e do sistema de lavagem de dinheiro. A esposa, Sharon Nogueira Siqueira, e o filho, Eduardo Silvério, também figuram entre os alvos. Outros nomes destacados são Stefania Cusumano Pereira, ligada a postos de gasolina; Maurício Soares de Oliveira, dono de rede de cosméticos citado em relatórios do Coaf; e João Martinho do Carmo Crespim, administrador da BK Bank.
A lista inclui ainda Tatiana Aparecida Crispim, Valdir de Souza Vicente, Rodrigo Cavarzere dos Santos, Wagner dos Santos, o casal Reinaldo e Catarina Bezerra, Alex Batista, João Muniz Leite e Camila Cristina de Moura Silva. Outros oito investigados tiveram participação ainda não detalhada.
Segundo o MPSP, o grupo infiltrou-se em toda a cadeia do combustível: da importação à bomba final. A adulteração com metanol aumentava a margem de lucro, enquanto a fintech mascarava a origem dos recursos. Paralelamente, motéis, franquias e empreendimentos imobiliários eram usados para reciclar valores ilícitos — só os motéis movimentaram R$ 450 milhões em quatro anos.
Em nota, a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo destacou que a ação ocorre em conjunto com Receita Federal, Secretaria da Fazenda estadual e Polícia Militar. A investigação também cruza dados da Operação Carbono Oculto, que já apontava participação da facção em fraudes no setor de combustíveis.
Ao todo, a Receita identificou 98 estabelecimentos de uma mesma franquia sob 21 CNPJs de laranjas, com fluxo de R$ 1 bilhão e recolhimento de apenas 2,5% em tributos. SCPs foram usadas para erguer pelo menos 14 prédios residenciais em Santos, movimentando R$ 260 milhões sem revelar os sócios ocultos.
Os mandados cumprem busca de documentos fiscais, registros contábeis paralelos e mídias digitais. Até o momento, não houve confirmação de prisões.
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Foto: Divulgação/ Polícia Federal