Incêndio na Chapada dos Veadeiros destrói casa de moradora

Incêndio na Chapada dos Veadeiros destruiu por completo a residência de Ildeci Rodrigues Loredo, 49 anos, na comunidade Kalunga de Vão das Almas, em Cavalcante (GO). O fogo, que avança na região desde 25 de setembro, consumiu o imóvel na última quinta-feira (2).
Ildeci, que leciona na cidade durante a semana, só retorna ao quilombo nos fins de semana. Quando foi avisada por um vizinho, já não havia mais o que salvar. “Perdi cama, ferramentas de trabalho, placa solar. Não deu tempo de tirar nada”, relatou.
Incêndio na Chapada dos Veadeiros destrói casa de moradora
O drama pessoal expõe a gravidade do desastre ambiental. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), em apenas dez dias foram identificados 20 focos distintos de incêndio florestal na Chapada dos Veadeiros, 12 deles em Cavalcante e oito em Colinas do Sul.
As chamas já devastaram cerca de 57 mil hectares na Área de Proteção Ambiental (APA) Pouso Alto e arredores. Moradores relatam dificuldade de conter o avanço do fogo, potencializado pelo clima seco e pelos ventos fortes típicos desta época do ano no Cerrado.
Ildeci vivia na mesma casa havia 15 anos. Além dos móveis, ela perdeu um triturador, uma máquina manual de arar a terra e um assoprador usados na pequena lavoura familiar. “Sem energia e sem equipamentos, fico sem renda”, lamentou.
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o prolongado período de estiagem e a baixa umidade relativa do ar favorecem a propagação de incêndios, exigindo reforço no efetivo de brigadistas e ações coordenadas entre órgãos ambientais.
O CBMGO mantém equipes em campo para conter os focos ativos, mas admite que a extensão da área e o terreno acidentado dificultam o trabalho. A corporação reforça o pedido para que turistas e moradores evitem qualquer prática que possa gerar faíscas, como queima de lixo ou uso de fogo para limpeza de pasto.
A Secretaria Estadual de Meio Ambiente estuda solicitar apoio federal para ampliar o número de aeronaves de combate e instalar bases avançadas de monitoramento por satélite, a fim de reduzir o tempo de resposta em novas ocorrências.
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Crédito: Reprodução