Carne bovina quase dobra venda à China
País asiático agiu como o principal amortecedor do choque: as vendas do produto para o país asiático quase dobraram no período analisado. O volume de exportação saltou de US$ 1,06 bilhão em 2024 para impressionantes US$ 1,94 bilhão em 2025, demonstrando a capacidade de Pequim de absorver rapidamente o produto que perdeu mercado nos EUA

Carne bovina quase dobra venda à China: as exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreram um forte baque nos dois meses seguintes à imposição de tarifas de 50% pelo ex-presidente Donald Trump. A sobretaxa, que entrou em vigor em 6 de agosto de 2025, resultou em uma queda de 18,3% nas vendas ao mercado americano em agosto e setembro, mas o impacto total foi parcialmente amortecido por um aumento expressivo nas vendas para a China e pela estratégia de diversificação de mercado.
No balanço dos dois meses (agosto e setembro de 2025), o Brasil exportou US$ 5,4 bilhões para os EUA, uma perda de US$ 1,2 bilhão na comparação com os US$ 6,6 bilhões movimentados no mesmo período de 2024, antes do chamado “tarifaço”.
Carne bovina quase dobra venda à China
Os números revelam que o efeito da tarifa de 50% foi devastador para os produtos diretamente atingidos. O setor de açúcares e melaços registrou o tombo mais acentuado, com uma retração de 82,35% nas vendas aos EUA. O tabaco viu suas exportações caírem 76,60%, enquanto a carne bovina sofreu uma redução de 53,38%. O café não torrado também sentiu o impacto, recuando 11,30%.
Além dos produtos tarifados, a mudança no ambiente comercial e a flutuação da demanda também afetaram outros setores não atingidos diretamente: o minério de ferro, por exemplo, teve uma redução de 99% nas vendas aos americanos, e a exportação de celulose caiu mais de 30% no período.
China compensa
Enquanto as vendas para os EUA encolhiam, o fluxo comercial com a China demonstrou resiliência e capacidade de absorção. As exportações para Pequim registraram uma alta de 21% nos mesmos meses de agosto e setembro, saltando de US$ 14,7 bilhões em 2024 para US$ 17,8 bilhões em 2025.
O papel da China foi crucial para sustentar o setor de carne bovina, um dos mais afetados pelo tarifaço americano. As vendas do produto para o país asiático quase dobraram no período, passando de US$ 1,06 bilhão em 2024 para US$ 1,94 bilhão em 2025, compensando grande parte da perda nos EUA.
Até mesmo setores com menor participação no mercado chinês, como o café não torrado, apresentaram um salto notável de 163% nas vendas, atingindo US$ 45 milhões. Outros parceiros também foram fundamentais para segurar a balança comercial: o México aumentou em 250% a compra de carne bovina, e países árabes e do Sudeste Asiático ajudaram a manter a estabilidade do setor de açúcares.
Diversificação estratégica acelerada
O choque do tarifaço serviu para acelerar uma estratégia que já era prioridade do governo federal e do setor privado: a diversificação dos mercados de destino das exportações.
Empresários e autoridades argumentam que o Brasil já havia mapeado mercados alternativos antes mesmo do anúncio das tarifas. A intenção não é substituir integralmente o complexo e grande mercado consumidor americano, mas sim minimizar a vulnerabilidade da economia brasileira a choques políticos ou comerciais de um único parceiro.
O discurso de diversificação, especialmente forte para as commodities agrícolas, é uma das bandeiras do Ministério da Agricultura. Desde 2023, o Brasil abriu mais de 400 novos mercados para seus produtos, um movimento que se mostrou essencial para amortecer o impacto da sobretaxa imposta por Washington. A tendência é que essa busca por novos parceiros comerciais se intensifique, garantindo maior estabilidade e resiliência à balança comercial do país.
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