Terras raras: disputa EUA-China e posição do Brasil

Terras raras: disputa EUA-China e posição do Brasil movimentam a geopolítica ao redor de elementos fundamentais para eletrônicos e energias renováveis. A concentração da cadeia produtiva na China e as grandes reservas brasileiras tornam o tema estratégico para acordos comerciais.
Esses 17 elementos químicos são indispensáveis a smartphones, baterias, turbinas eólicas e painéis solares. Sem alternativas tecnológicas equivalentes, seu suprimento influencia diretamente indústrias de alto valor agregado.
Terras raras: disputa EUA-China e posição do Brasil
Atualmente, a extração e o beneficiamento de minerais que contêm terras raras estão majoritariamente em território chinês. Pequim endureceu o controle sobre a exportação, exigindo licenças estatais para qualquer componente que utilize suas reservas ou tecnologia, medida anunciada após a recente guerra de tarifas com Washington.
Para empresas norte-americanas de semicondutores e veículos elétricos, a decisão foi interpretada como retaliação econômica. Ao restringir insumos essenciais, a China evidencia sua capacidade de pressionar setores estratégicos dos Estados Unidos.
Nesse contexto, teorias surgiram em torno de um eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump. Segundo especulações, o Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial, poderia oferecer acesso facilitado às terras raras em troca da redução de tarifas impostas pelos EUA.
No entanto, especialistas lembram que a concessão de lavra no Brasil segue rito legal previsto no Código de Mineração e na Constituição. A autorização depende de etapas técnicas e ambientais, não sendo um ato discricionário do chefe do Executivo. Portanto, qualquer parceria bilateral precisaria respeitar essas exigências.
Ainda assim, Brasília e Washington podem negociar acordos para pesquisa, investimento e transferência de tecnologia, ampliando a competitividade brasileira sem violar a legislação. O valor estratégico é reconhecido internacionalmente; segundo levantamento da International Energy Agency, a demanda global por terras raras pode triplicar até 2040.
Com reservas abundantes e marco regulatório definido, o Brasil se posiciona como ator-chave na corrida por suprimentos limpos. A forma como o país equilibra interesses ambientais, econômicos e geopolíticos definirá seu papel na transição energética mundial.
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Crédito da imagem: CNN Brasil