Política

Lula evita improviso e adota cautela na segurança pública

Lula evita improviso e adota cautela na segurança pública — segurança pública domina as discussões eleitorais e, para não fornecer munição à oposição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a receber orientação para limitar declarações espontâneas sobre o tema, confirmaram interlocutores do Planalto.

Auxiliares recordam a fala de novembro, na Indonésia, quando Lula disse que traficantes seriam “vítimas de usuários” e, mesmo após retratação, a frase segue explorada por adversários. A avaliação interna é que comentários fora de roteiro reforçam o discurso de que a esquerda seria conivente com o crime organizado.

Lula evita improviso e adota cautela na segurança pública

Desde a megaoperação policial que resultou em 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em 28 de maio, o presidente limita-se a manifestações pelas redes sociais. No dia seguinte, relatou ter acionado ministros e enviado comitiva ao estado para dialogar com o governador Cláudio Castro (PL).

Na sexta-feira (31), ao anunciar o projeto de lei Antifacção, Lula destacou o aumento das penas para integrantes de facções, chegando a 30 anos, e novos instrumentos de asfixia financeira dessas organizações. O texto, ressaltou, complementa a PEC da Segurança Pública, protocolada em abril, que prevê integração entre forças federais, estaduais e municipais.

Governadores de perfil conservador reagiram. Em reunião no Palácio Guanabara, Castro e chefes de seis estados lançaram o Consórcio da Paz e criticaram a atuação federal. O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (União-GO) afirmou que setores do governo seriam “complacentes” com o crime.

Para dimensionar o impacto das operações e calibrar o discurso, o PT e o Planalto encomendam pesquisas de percepção. Dados da AtlasIntel divulgados em 31 de maio mostram apoio de 87,6% dos moradores de favelas cariocas à ação contra o Comando Vermelho; no restante da população da capital, a aprovação cai para 55%.

A orientação é que Lula mantenha a pauta de segurança pública, mas evite improvisos que possam ser explorados politicamente, enquanto reforça ações legislativas e articulações com estados.

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Crédito: Adriano Machado/Reuters

Redação GOYAZ

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