
Café adulterado era fornecido a 15 prefeituras: a Polícia Civil de Goiás desarticulou um esquema de adulteração de café industrializado que se utilizava de insumos impróprios para consumo humano. A operação integrada, liderada pela Central Geral de Flagrantes de Aparecida de Goiânia – 2ª DRP, ocorreu na manhã da última quinta-feira, 20 de novembro, e expôs uma fraude que colocava em risco a saúde pública e desviava recursos de contratos governamentais.
A ação resultou na apreensão de uma impressionante quantidade de 4.500 quilos de palha de café, o que equivale a 150 sacas de 30 kg. Este resíduo, geralmente descartado ou usado como adubo, estava sendo incorporado ao café moído para aumentar o volume e o lucro da indústria de forma ilícita, numa prática conhecida como “casamento de grão”.
Café adulterado era fornecido a 15 prefeituras
O trabalho de investigação teve início no dia 14 de novembro, após a Polícia Civil receber uma denúncia anônima detalhada sobre o descarregamento de uma grande quantidade de palha de café em um depósito clandestino, localizado no bairro Jardim Veneza, em Aparecida de Goiânia.
No momento da abordagem policial, 146 sacas do material já haviam sido descarregadas no local, restando apenas quatro no caminhão que efetuava a entrega. Ao perceber a chegada da equipe, o responsável pela operação tentou fugir, mas foi rapidamente contido e preso em flagrante.
O indivíduo, cuja identidade não foi revelada, foi autuado por crimes graves. Ele responderá por adulteração de produto alimentício, conforme previsto no art. 272, §1º-A, do Código Penal, e por manter em depósito produto impróprio para consumo, de acordo com o art. 7º, inciso IX, da Lei 8.137/90. As penas combinadas podem resultar em reclusão de até dez anos.
A fraude ganha contornos de escândalo em contratações públicas, pois documentos e unidades de diversas marcas de café foram apreendidas no local. Tais produtos eram, segundo os papéis encontrados, fornecidos por meio de processo licitatório a uma extensa lista de prefeituras goianas, demonstrando a ampla distribuição do produto adulterado com dinheiro público.
Foram identificados como destinos municipais do produto fraudado Minaçu, Carmo do Rio Verde, Vila Boa, Santa Fé de Goiás, Guapó, Abadia de Goiás, Anicuns, Goianira, Senador Canedo, Paraúna, Joviânia, Santa Helena de Goiás, Leopoldo de Bulhões, Silvânia e Piracanjuba.
Após o flagrante, a Vigilância Sanitária Municipal foi acionada e agiu de imediato, interditando o depósito clandestino e a indústria que era a responsável pela fabricação do café adulterado. A interdição é por tempo indeterminado, e os autos respectivos foram lavrados pelas autoridades sanitárias.
Como próxima etapa, amostras dos cafés apreendidos foram encaminhadas para perícia oficial do estado. Além disso, o material será submetido a uma análise rigorosa junto à ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café). A associação irá verificar a pureza e a qualidade do produto e, crucialmente, a regularidade do uso do Selo de Pureza em embalagens que continham produto fraudulento. A investigação continua para identificar toda a cadeia de fornecedores e outros possíveis envolvidos no esquema.
Mais atuação das Polícia Civil de Goiás
Crédito da Imagem: IA