
Goiânia enfrenta avanço da inflação e luz volta a pressionar orçamento: Goiânia voltou a registrar forte pressão inflacionária em novembro, segundo o IPCA-15, prévia da inflação oficial do País. A capital goiana apresentou alta de 0,56%, a segunda maior entre as 11 regiões pesquisadas pelo IBGE. O avanço marca o terceiro mês consecutivo de aumento, elevando a inflação acumulada de 2025 para 4,44% e alcançando 4,80% no período de 12 meses — índices acima da média nacional.
Goiânia enfrenta avanço da inflação e luz volta a pressionar orçamento
O grupo Habitação foi o principal responsável pelo resultado, impulsionado por um forte reajuste na energia elétrica, que disparou 14,04% apenas em novembro e já acumula quase 20% ao longo do ano. Especialistas explicam que o choque tarifário atinge diretamente o orçamento das famílias, sobretudo aquelas que utilizam intensivamente aparelhos de refrigeração e eletrodomésticos. “Com o custo da energia tão elevado, sobra menos renda disponível para outras despesas essenciais”, afirma Edson Vieira, superintendente do IBGE em Goiás.
A alta no preço da energia também afeta o comércio e os serviços. Setores como padarias, oficinas, supermercados, salões e pequenas indústrias enfrentam aumento significativo nos custos operacionais. Sem margem para absorver integralmente esses reajustes, a tendência é que parte da despesa seja repassada aos consumidores nos próximos meses.
O economista Luiz Carlos Ongaratto destaca que alternativas como a migração para modelos de geração distribuída e cooperativas solares podem reduzir a conta em até 15%, embora ainda haja barreiras para adesão em larga escala.
Transportes ajudam a conter inflação, mas impacto é limitado
Na contramão do aumento da energia, o grupo Transportes registrou queda de 0,52% em Goiânia, influenciado pelo recuo da gasolina e do etanol. Como é um dos componentes de maior peso no cálculo do índice, a redução ajudou a compensar parte do aumento provocado por Habitação.
“São dois grupos-chave no orçamento familiar. Quando um sobe e o outro cai, há um certo equilíbrio na renda disponível”, explica Vieira.
O grupo Alimentação e Bebidas teve leve alta de 0,19%, suavizada pela queda no preço de hortaliças, tubérculos e produtos lácteos. No acumulado de 12 meses, porém, Habitação (8,62%), Transportes (3,68%) e Alimentação (3,59%) continuam sendo os principais vetores da inflação na capital.
Projeções indicam desaceleração, mas famílias e empresas seguem pressionadas
As expectativas para os próximos meses são mais favoráveis. Não há previsão de novos aumentos na tarifa de energia até o fim do ano, e os combustíveis podem permanecer estáveis ou até apresentar novas quedas. Caso esse cenário se confirme, a inflação tende a perder força no último trimestre.
Ongaratto avalia que a política monetária atual tem ajudado a conter a inflação e deve abrir espaço para melhora gradual no ambiente econômico. “Se os preços de energia e combustíveis se estabilizarem, o índice local deve convergir para o centro da meta”, projeta.
No entanto, os efeitos da inflação acumulada já se fazem sentir. Famílias estão substituindo marcas, reduzindo consumo fora de casa e priorizando despesas básicas. Esse movimento impacta diretamente bares, restaurantes, salões de beleza, supermercados e demais setores que dependem do consumo cotidiano.
Empresas, por sua vez, têm adiado investimentos, revisto contratos e renegociado fornecedores. As que atuam com produtos sensíveis ao custo energético enfrentam maior desafio para equilibrar preço e competitividade.
Apesar do cenário desafiador, especialistas afirmam que Goiânia mantém condições para um 2026 de retomada moderada, especialmente se a inflação desacelerar e o mercado de trabalho seguir aquecido. Ainda assim, a recuperação dependerá fortemente da capacidade das famílias de recompor renda e recuperar poder de compra.
Crédito da Imagem: IA