MPGO recomenda suspensão imediata de grama sintética em Goiânia
Prazo de 20 dias úteis para envio de relatório técnico e plano de remoção

MPGO recomenda suspensão imediata de grama sintética em Goiânia: o Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio da 7ª Promotoria de Justiça de Goiânia, emitiu uma recomendação ao prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil). O órgão solicitou a suspensão imediata de qualquer nova instalação, aquisição, contratação ou ampliação do uso de grama sintética.
A medida abrange canteiros centrais, praças, parques e demais áreas públicas da capital. Para mais informações sobre as ações do MPGO, acesse o site do Ministério Público de Goiás.
MPGO recomenda suspensão imediata de grama sintética em Goiânia
A promotora de Justiça Alice de Almeida Freire, titular da Promotoria de Justiça, também requereu a elaboração e execução de um plano de recuperação ambiental detalhado para as áreas já afetadas.
Esse plano deverá incluir a remoção da grama sintética, garantindo uma destinação ambientalmente adequada do material. Será necessária a revegetação com grama natural e espécies nativas, compatíveis com o ecossistema do Cerrado. O objetivo é restaurar as funções ecológicas e drenantes do solo.
O MPGO solicitou ainda o encaminhamento, em até 20 dias úteis, de um relatório técnico e administrativo. O documento deve conter a relação completa das áreas públicas onde a grama sintética foi instalada. Além disso, o relatório precisa apresentar o plano e o cronograma de remoção e recuperação ambiental.
A promotora de Justiça conduz um procedimento investigatório para apurar a legalidade e regularidade da substituição de grama natural por sintética. A investigação foca no canteiro central da Avenida Castelo Branco e em outros logradouros públicos. Ela também avalia os impactos ambientais, urbanísticos, estéticos e sociais dessa prática.
Nessa investigação, já foi constatado um laudo técnico. A Coordenação de Apoio Técnico-Pericial (Catep) do MPGO concluiu que a grama sintética não oferece benefícios ambientais, ecológicos ou financeiros. Pelo contrário, ela causa impactos negativos significativos em diversas dimensões.
O estudo ressalta a importância da grama natural. Ela desempenha funções ambientais indispensáveis, como regulação térmica, absorção de dióxido de carbono (CO₂), liberação de oxigênio, retenção de umidade e infiltração das águas pluviais. Além disso, a grama natural é fundamental para o suporte à biodiversidade do solo.
Em contraste, a grama sintética é impermeável, inorgânica e termicamente isolante. Essas características resultam em aquecimento excessivo da superfície e impermeabilização total do solo. A promotora de Justiça destaca que a grama sintética instalada em Goiânia é totalmente impermeável, sem furos ou estrutura de drenagem adequada. Isso impede a recarga do lençol freático, a infiltração das águas pluviais e a oxigenação do solo. Tais fatores agravam o escoamento superficial da água, favorecendo alagamentos e enchentes.
Crédito da Imagem: IA