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Inadimplência derruba radares em Goiânia

Dívida de R$ 7,9 milhões paralisa fiscalização e suspensão do serviço repete crise registrada em 2024.

Inadimplência derruba radares em Goiânia: a capital goiana voltou a conviver com um cenário que já se tornou incômodo para motoristas, gestores públicos e especialistas em mobilidade urbana: mais uma vez, o sistema de fiscalização eletrônica foi totalmente suspenso por falta de pagamento. Mesmo sendo uma das cidades mais vigiadas do país no trânsito, Goiânia enfrenta seu segundo “apagão de radares” em menos de um ano.

A interrupção ocorre justamente no momento em que a capital alcança um marco significativo — e controverso — no cenário nacional. De acordo com o mais recente estudo do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), realizado em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Goiânia possui a segunda maior densidade de radares do Brasil, com um equipamento para cada 10 mil veículos. A média nacional é de 1 para 16,7 mil. À frente da capital está apenas Vitória, com 1 para 8 mil.

Inadimplência derruba radares em Goiânia

Esse dado confirma o que motoristas sentem nas ruas: Goiânia é uma das cidades com maior presença de equipamentos de fiscalização por quilômetro rodado no país. Mas essa ampla estrutura, agora desligada, expõe uma contradição: a cidade que investiu na tecnologia não consegue mantê-la funcionando.
A empresa responsável pela operação e manutenção dos radares suspendeu todos os serviços alegando inadimplência da prefeitura, que acumula dívida superior a R$ 7,9 milhões. Sem recursos, a contratada deixou de realizar manutenção, processamento de dados e suporte técnico — o que levou ao desligamento dos sensores e lombadas eletrônicas instalados em praticamente todas as regiões da cidade.
A Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM) tentou fazer repasses emergenciais, mas não teve sucesso. Em nota, afirmou que a situação tornou inevitável a interrupção do sistema.
Representantes da empresa disseram que já haviam alertado o município sobre atrasos sucessivos e que o cenário se tornou “insustentável”.
Histórico de apagões e impacto direto nos acidentes
Esta não é a primeira vez que Goiânia passa por isso. Em 2024, a cidade ficou quase 20 dias sem fiscalização eletrônica, também por falta de pagamento. Naquele período, dados da própria SMM revelaram um crescimento de 22% nas infrações de velocidade em trechos que antes contavam com radares ativos.
Especialistas alertam que esses períodos de descontinuidade reduzem a percepção de risco dos motoristas e causam um “efeito dominó”:
•aumento de velocidade média;
•maior número de colisões traseiras;
•mais acidentes em cruzamentos;
•queda no respeito à sinalização vertical e horizontal.
Além disso, a falta de contratos ativos faz com que a prefeitura deixe de registrar e processar milhares de multas — o que impacta diretamente a arrecadação usada para custear sinalização, manutenção viária e ações educativas.
A densidade de radares em Goiânia é quase três vezes maior que em Salvador e Fortaleza, e supera capitais maiores como Recife, Curitiba e Porto Alegre. O modelo, que poderia colocar Goiânia como referência nacional em redução de acidentes, enfrenta um obstáculo recorrente: a incapacidade de manter os contratos pagos em dia.
Enquanto outras capitais também sofrem interrupções ocasionais, não há outra cidade com dois apagões consecutivos em tão curto período, o que indicaria fragilidade organizacional.
Com o sistema desligado, Goiânia vive risco iminente de retroceder em indicadores que levaram anos para melhorar. Estudos do ONSV mostram que cidades com mais de cinco radares por 10 mil veículos reduzem em até 12% os acidentes fatais. Com o sistema paralisado, essa proteção desaparece.
A SMM afirma trabalhar na regularização do contrato e na elaboração de um novo processo emergencial, mas não divulgou prazo para restabelecer o serviço. Técnicos da pasta estão realizando estudos temporários para reforçar a sinalização em pontos críticos até que a fiscalização eletrônica seja restabelecida.
Enquanto isso, Goiânia vive novamente o dilema de depender de decisões administrativas que podem demorar semanas ou meses. Até lá, as ruas da capital — que já figuram como algumas das mais vigiadas do país — voltam a depender apenas da consciência dos motoristas.

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Crédito da Imagem: IA

Redação GOYAZ

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