Suspeito de desviar recursos públicos coagia alunos de dentro da prisão
Áudios revelam que o delegado Dannilo Proto intimidava estudantes inadimplentes por mensagens

Suspeito de desviar recursos públicos coagia alunos de dentro da prisão: o Ministério Público de Goiás investiga a possível omissão ou facilitação de agentes da Polícia Civil na entrada de aparelhos eletrônicos na cela do delegado Dannilo Proto. A suspeita recai sobre a permanência de celulares e notebooks na Delegacia de Investigação de Homicídios, em Goiânia, onde o servidor estava detido. As informações foram confirmadas por meio de apurações do Gaeco e divulgadas pela imprensa nesta quarta-feira: Notícias.
Suspeito de desviar recursos públicos coagia alunos de dentro da prisão
O delegado e sua esposa, Karen Proto, detida em Cidades, são investigados por suspeita de integrar um grupo voltado à fraude de contratos na área da educação e ao desvio de recursos públicos. Segundo o Ministério Público de Goiás, o casal faria parte de um esquema milionário envolvendo verbas estaduais. Durante vistoria realizada pelo MP, foram apreendidos um celular e diários nos quais o preso detalhava a rotina e a gestão do Instituto Delta Proto diretamente da unidade prisional.
A inspeção do Ministério Público ocorreu após uma varredura da Corregedoria da Polícia Civil não identificar irregularidades no local. Em mensagens interceptadas, Proto referia-se à cela como um escritório de fácil camuflagem e afirmava ter solicitado a inspeção policial prévia para testar seus esconderijos. Em comunicações com familiares, o delegado descreveu a movimentação de aparelhos e o uso de compartimentos em eletrodomésticos para ocultar carregadores e fones de ouvido durante a fiscalização.
Diante das evidências de que o custodiado mantinha o comando de atividades empresariais via celular, a Justiça determinou sua transferência para a Casa do Albergado em 18 de dezembro. A coordenadora do Gaeco, promotora Gabriela Clementino, afirmou que a custódia foi transformada em um ambiente para a continuidade de práticas ilícitas. O coordenador do Centro Integrado de Investigação e Inteligência destacou que o investigado se referia aos executores da primeira vistoria com termos de proximidade na Política de segurança de Goiás.
Relatos indicam que, mesmo detido, o delegado utilizava os dispositivos eletrônicos para coagir ex-alunos do instituto sediado em Rio Verde. Mensagens e áudios revelam intimidações contra estudantes inadimplentes. Em um dos registros, Proto interrompe questionamentos sobre as investigações para cobrar o cumprimento de contratos financeiros em Goiânia, mantendo o controle administrativo da empresa apesar da restrição de liberdade imposta pelo Judiciário.
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