Pré-campanha esquenta entre PL e base estadual
Ruído interno reduz margem de negociação entre aliados

Pré-campanha esquenta entre PL e base estadual: o deputado federal Gustavo Gayer (PL) acusou o senador Wilder Morais (PL) de mentir ao sugerir que teria aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para lançar candidatura própria ao governo de Goiás nas próximas eleições.
A declaração elevou a tensão interna no campo da direita goiana e expôs divergências estratégicas dentro do partido. Pouco antes de uma publicação de Wilder nas redes sociais, Gayer manifestou insatisfação e afirmou que não haveria autorização legítima do ex-presidente para o movimento. “Nada pior do que mentir sobre ter apoio de uma pessoa que está presa e não pode falar a verdade”, escreveu o parlamentar.
Pré-campanha esquenta entre PL e base estadual
Wilder rebateu a declaração de seu correligionário em entrevista à jornalista Fabiana Pulcinelli, do jornal O Popular. O congressista manifestou discordância em relação aos pontos apresentados pelo colega de partido.
“É só ir lá e confirmar. Acho que ele não foi convidado para estar lá. Mas rapidinho alguém vai e o presidente confirma” afirmou Wilder.
Segundo aliados ouvidos pela reportagem, a disputa vai além da narrativa pública e envolve o controle da montagem de palanques e da distribuição de espaços na chapa majoritária.
Caso a direção partidária confirme oficialmente o aval para Wilder disputar o governo, parte das negociações em curso entre partidos de centro-direita e da base estadual tende a ser revista.
No núcleo governista em Goiás, ligado ao governador Ronaldo Caiado (PSD) e ao vice-governador Daniel Vilela (MDB), a avaliação reservada é de que uma candidatura própria competitiva do PL ao governo reduziria a margem de composição e poderia inviabilizar acordos desenhados para a segunda vaga ao Senado.
A nova configuração abre espaço para o surgimento de um candidato ao governo no campo oposicionista e, ao mesmo tempo, fortalece o senador Vanderlan Cardoso (PSD) como provável nome ao Senado na base governista, ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), que é citada internamente como opção de alto potencial eleitoral.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que o desenho preliminar da base previa a concentração de forças na candidatura de Daniel ao governo, com a chapa ao Senado formada pelo deputado federal bolsonarista Gayer.
Com a possível entrada de um novo concorrente ao governo pelo PL, o tabuleiro muda e obriga lideranças a recalcular alianças, tempo de propaganda e estratégias regionais.
Dirigentes partidários admitem, sob reserva, que o movimento cria um novo polo de disputa no campo conservador e pode provocar efeito cascata nas chapas proporcionais. Deputados e pré-candidatos temem que a fragmentação reduza coligações e altere o planejamento eleitoral.
Publicamente, lideranças evitam falar em ruptura. Reservadamente, porém, o diagnóstico é de que a definição oficial sobre quem tem — ou não — o aval nacional será decisiva para estabilizar ou fragmentar a direita em Goiás na corrida pelo governo estadual.