No Brasil, líderes como Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva adotaram estratégias digitais fortes, ainda que com estilos distintos. Bolsonaro popularizou as transmissões ao vivo e a comunicação direta com apoiadores, muitas vezes pautando o debate diário. Lula, por sua vez, investiu em produção profissional de conteúdo, segmentação de público e campanhas digitais integradas. Em ambos os casos, as redes viraram extensão do palanque e também da mesa de governo.
A lógica algorítmica influencia o estilo de governar. Conteúdos com maior engajamento — polêmicos, emocionais ou simplificados — tendem a ganhar mais alcance. Isso estimula mensagens curtas, posições mais duras e linguagem direta. Propostas complexas perdem espaço para slogans e cortes de vídeo. O resultado é uma política mais performática, em que a forma de comunicar pesa quase tanto quanto a substância da ação administrativa.
Plataformas como Instagram, X, TikTok e Facebook impõem formatos que afetam a estratégia política. Vídeos curtos favorecem mensagens diretas; threads estimulam posicionamentos em série; lives criam sensação de proximidade. Equipes de mandato hoje incluem analistas de dados, editores de vídeo e gestores de comunidade — funções que há poucos anos não existiam no núcleo político.