Polícia desarticula grupo da Força Jovem ligado ao tráfico e à violência entre torcidas
Investigações apontam conexão com facção criminosa do Rio de Janeiro

Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar de Goiás resultou na prisão de oito integrantes da torcida organizada Força Jovem Goiás na manhã desta terça-feira (10), em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Entre os detidos está um homem apontado pelas investigações como chefe do tráfico de drogas na região do Parque Santa Cruz, na capital. A ação faz parte de uma ofensiva das forças de segurança contra grupos suspeitos de promover ataques violentos contra torcedores rivais.
De acordo com a Polícia Civil, três dos investigados presos na operação possuem ligação direta com o tráfico de drogas e com uma facção criminosa originária do Rio de Janeiro. As autoridades apontam que parte da estrutura da torcida organizada vinha sendo utilizada para fortalecer a atuação criminosa, tanto na distribuição de drogas quanto na organização de ataques contra torcidas adversárias.
A investigação aponta que alguns dos envolvidos também mantinham ligação com episódios recentes de violência entre torcidas organizadas na capital goiana. Segundo os investigadores, a presença de integrantes ligados ao tráfico dentro da torcida ampliava o nível de periculosidade do grupo e contribuía para a escalada de confrontos.
A operação cumpriu oito mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As diligências ocorreram simultaneamente em diferentes bairros de Goiânia e também no município vizinho de Aparecida de Goiânia. A ação contou ainda com apoio do Ministério Público do Estado de Goiás, que acompanha as investigações sobre crimes envolvendo violência entre torcedores.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam porções de drogas, armas de fogo e diversos materiais relacionados à torcida organizada, incluindo camisetas e itens utilizados pelos integrantes da Força Jovem Goiás. Parte dos objetos apreendidos será analisada pela polícia para auxiliar no aprofundamento das investigações.
Entre os presos está Mateus Rodovalho, apontado pela Polícia Civil como responsável por coordenar o tráfico de drogas na região do Parque Santa Cruz. Segundo os investigadores, ele exerceria liderança sobre a distribuição de entorpecentes na área e atuaria como articulador de atividades ilícitas vinculadas a uma facção criminosa.
De acordo com o delegado Samuel Moura, chefe do Grupo de Proteção ao Torcedor (Geprot), ligado à Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), o investigado vinha sendo monitorado há pelo menos dois meses. O acompanhamento incluiu vigilância, levantamento de movimentações e coleta de provas que indicariam sua atuação no tráfico.
“Durante dois meses nós monitoramos o Mateus e conseguimos comprovar que ele coordena o tráfico de drogas na região e atua aqui como representante do Comando Vermelho. Além dele, outros dois presos envolvidos em ataques contra torcedores do Vila Nova também possuem antecedentes por tráfico de drogas”, afirmou o delegado.
Segundo a investigação, os suspeitos também estão envolvidos em um episódio de emboscada contra torcedores rivais ocorrido no fim do ano passado, no setor Vila Redenção, em Goiânia. O caso foi considerado um dos principais episódios de violência entre torcidas na cidade nos últimos meses.
A polícia identificou os oito investigados após analisar imagens, depoimentos e informações obtidas durante as investigações. Os suspeitos seriam integrantes da 8ª e da 18ª Legião da Força Jovem Goiás, grupos internos da torcida organizada que atuariam de forma coordenada em confrontos com torcidas adversárias.
Conforme as apurações, o grupo utilizou três veículos para se deslocar até um bar onde torcedores do Vila Nova estariam reunidos após uma partida da Série B do Campeonato Brasileiro. A intenção, segundo os investigadores, seria realizar um ataque contra os rivais.
Ao perceber a chegada dos carros com homens encapuzados, a proprietária do bar agiu rapidamente e decidiu fechar o estabelecimento, impedindo que os suspeitos entrassem no local. A ação da comerciante acabou evitando um confronto direto que poderia ter causado feridos ou até mortes.
Sem conseguir acessar o bar, os suspeitos deixaram o local. No trajeto de retorno, porém, eles teriam abordado dois jovens que vestiam camisas do Vila Nova. As vítimas foram agredidas e tiveram pertences roubados pelos integrantes do grupo.
Segundo a Polícia Civil, os oito presos responderão inicialmente pelos crimes de roubo com emprego de arma branca e associação criminosa. As investigações continuam para identificar a possível participação dos suspeitos em outros episódios de violência envolvendo torcidas organizadas.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais encontraram várias porções de drogas na residência de Mateus Rodovalho, além de uma pistola. Por causa do material apreendido, ele também responderá pelos crimes de tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo.
Na casa de outro investigado, os agentes localizaram um revólver, que também foi apreendido. O armamento será encaminhado para perícia e poderá ser analisado para verificar eventual utilização em outros crimes.
A Polícia Civil informou que a divulgação das identidades e das imagens dos presos segue os critérios estabelecidos pela Lei nº 13.869/2019, conhecida como Lei de Abuso de Autoridade. A medida também respeita a Portaria nº 547/2021 da Direção-Geral da Polícia Civil de Goiás.
Segundo a corporação, a divulgação foi autorizada por despacho fundamentado da autoridade policial responsável pela investigação. O objetivo é possibilitar a identificação de novas vítimas e incentivar que outras pessoas eventualmente prejudicadas pelos investigados procurem a polícia para registrar ocorrência.
As forças de segurança destacam que operações desse tipo fazem parte de uma estratégia mais ampla para combater a violência ligada a torcidas organizadas. Nos últimos anos, episódios envolvendo confrontos entre torcedores têm preocupado autoridades e motivado ações específicas de monitoramento e repressão.
A polícia também reforçou que as investigações continuam em andamento e que novas fases da operação não estão descartadas. A expectativa é que o material apreendido e os depoimentos colhidos contribuam para ampliar o mapeamento da atuação do grupo investigado.