Cidades

Ex-auxiliar de Rogério Cruz é presa em investigação sobre rombo em contrato público

Polícia aponta irregularidades na compra e aplicação de tinta inseticida

A prisão de uma ex-secretária da gestão do ex-prefeito Rogério Cruz provocou forte repercussão política e administrativa em Goiânia, ao trazer à tona suspeitas de fraude milionária em contrato público destinado ao combate ao mosquito transmissor da dengue. A ação policial, conduzida pela Polícia Civil de Goiás, integra investigação mais ampla sobre possíveis irregularidades em processos licitatórios e na execução de serviços vinculados à área social do município. O caso amplia a pressão sobre a antiga administração e reacende o debate sobre transparência e responsabilidade na aplicação de recursos públicos.

De acordo com as investigações, além da ex-secretária, também foi preso um ex-gestor de contratos da pasta, apontado como um dos articuladores do suposto esquema. As autoridades sustentam que há indícios de formação de associação criminosa, manipulação de etapas contratuais e direcionamento indevido de procedimentos administrativos. A hipótese central apurada é a existência de um núcleo informal dentro da estrutura da secretaria, responsável por acelerar contratações e flexibilizar exigências técnicas e legais, o que teria favorecido a execução de serviços em desacordo com o planejamento inicial.

O contrato sob investigação envolvia a aquisição e aplicação de cerca de 10 mil litros de tinta inseticida, produto utilizado como estratégia complementar no enfrentamento da proliferação do Aedes aegypti. O valor global estimado da contratação ultrapassa R$ 4 milhões, e auditorias preliminares indicam divergências relevantes entre a metragem prevista para aplicação e as áreas efetivamente atendidas. Há ainda suspeitas de que parte do material teria sido entregue próximo do prazo de validade ou em condições que comprometeriam a eficácia da ação sanitária.

Outro ponto considerado crítico pelos investigadores diz respeito à falta de controle rigoroso sobre o armazenamento e a fiscalização do uso do produto. Relatórios apontam que a tinta teria sido aplicada em imóveis desativados ou sem critérios técnicos claros, levantando questionamentos sobre possível desperdício de recursos e desvio de finalidade em políticas públicas voltadas à saúde preventiva. O prejuízo potencial aos cofres públicos é estimado em cerca de R$ 2,7 milhões, valor que pode ser revisto ao longo das apurações.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em Goiânia, no Entorno do Distrito Federal e em Brasília. A Justiça também autorizou o bloqueio de bens e valores dos investigados, medida que busca garantir eventual ressarcimento ao erário caso as irregularidades sejam confirmadas. A quebra de sigilos bancários, telefônicos e telemáticos integra o conjunto de diligências voltadas a mapear a extensão do suposto esquema.

O episódio intensificou o desgaste político da antiga gestão municipal e ampliou a cobrança social por maior rigor na fiscalização de contratos públicos. Especialistas em administração pública avaliam que o caso pode provocar revisão de procedimentos licitatórios e reforço das estruturas de controle interno, especialmente em áreas que lidam com contratações emergenciais e alto volume de investimentos. A defesa dos investigados ainda não apresentou manifestação detalhada sobre o mérito das acusações, enquanto aliados do ex-prefeito afirmam confiar no trabalho das instituições responsáveis pela apuração.

Redação GOYAZ

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