ESTADO š Governo encaminha Ć Assembleia projeto de lei que cria o Fundeinfra

O Governo de GoiÔs encaminhou, nesta quinta-feira (10/11), para apreciação da Assembleia Legislativa do Estado de GoiÔs (Alego), dois projetos de lei que sustentam a criação do Fundo Estadual de Infraestrutura, o Fundeinfra, com autonomia administrativa, financeira e contÔbil, e destinação exclusiva para obras de infraestrutura, especialmente pavimentação e manutenção das rodovias goianas.
Um dos projetos institui o Fundeinfra e a captação de recursos oriundos do setor agropecuÔrio e mineral do estado, por meio de uma contribuição (de até 1,65%) sobre o valor de comercialização do produto.
O outro projeto altera o Código TributĆ”rio do Estado de GoiĆ”s (CTE) para alinhar a contribuição ao Fundo com os benefĆcios fiscais que jĆ” contemplam a produção agrĆcola, pecuĆ”ria e mineral em GoiĆ”s.
Conforme a proposta, a contribuição Ć© facultativa (o produtor pode optar ou nĆ£o) e condicionante para a manutenção de benefĆcios fiscais que desoneram o setor agropecuĆ”rio. O produtor que aderir ao fundo estarĆ” apto a manter os diversos benefĆcios fiscais que contemplam a produção agropecuĆ”ria e a usufruir de regimes especiais que privilegiam o fluxo de caixa do produtor, seja via substituição tributĆ”ria ou no controle de saĆda de mercadorias para exportação.
A estimativa Ć© arrecadar, via Fundeinfra, de R$ 700 milhƵes a R$ 1 bilhĆ£o, substancial para garantir os investimentos em infraestrutura que atenderĆ£o, em boa parte, ao setor agropecuĆ”rio. E esses investimentos ficariam prejudicados em função de um quadro de crise fiscal, provocado pela redução da alĆquota de ICMS na comercialização de combustĆveis, energia elĆ©trica e de outros, com impacto previsto de R$ 4 bilhƵes para o Tesouro Estadual.

A contribuição que estÔ sendo proposta pelo Estado não terÔ incidência em toda a produção agropecuÔria. Apenas os produtores de milho, soja, cana de açúcar, carnes e minérios serão contribuintes do Fundeinfra.
O setor estÔ entre os menos tributados de GoiÔs: em 2021, participou com 1,61% do total da arrecadação do estado. No último mês de outubro, a produção agropecuÔria aparece em quinto lugar no ranking de faturamento, porém cai para nono quando avaliada a arrecadação do estado sobre os setores produtivos.
No acumulado dos Ćŗltimos 12 meses, o setor de combustĆveis foi o que mais contribuiu com o Tesouro, gerando cerca de R$ 7 bilhƵes de arrecadação para o Estado; em segundo lugar, a indĆŗstria gerou R$ 5,5 bilhƵes; na sequĆŖncia o setor atacadista, com R$ 4,8 bilhƵes de contribuição. Em nono lugar, o setor agropecuĆ”rio gerou R$ 506 milhƵes em tributos. Para referĆŖncia, somente no mĆŖs de outubro desse ano, a produção agropecuĆ”ria teve faturamento de R$ 8,037 bilhƵes.
Outros estados
A instituição do Fundeinfra com captação de recursos para investimento em infraestrutura segue modelo praticado em outros estados ā no Mato Grosso (MT), desde o ano de 2000; no Mato Grosso do Sul (MS), desde 1999; e no MaranhĆ£o (MA), onde o fundo foi criado mais recentemente, em 2020. Em Mato Grosso, por exemplo, o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) investiu, entre 2019 e 2022, R$ 5,6 bilhƵes em infraestrutura.
Levantamento da Secretaria de Infraestrutura do Mato Grosso aponta que esses recursos foram utilizados, entre obras concluĆdas e em andamento, na pavimentação de 2,5 mil quilĆ“metros de rodovias; outros 2,1 mil quilĆ“metros de estradas foram restaurados; 152 pontes de concreto foram construĆdas, entre outras obras que atendem diretamente o escoamento da produção agropecuĆ”ria e mineral daquele estado.
Fundeinfra
O governador Ronaldo Caiado, em mensagem enviada à Assembleia, juntamente com os dois projetos de lei que sustentam a criação do Fundeinfra, ressalta que o fundo terÔ destinação exclusiva a obras de (1) infraestrutura agropecuÔria; (2) modais de transporte; recuperação, manutenção, conservação, pavimentação e implantação de rodovias; (3) sinalização, artes especiais, pontes e bueiros; e também (4) edificação e operacionalização de aeródromos.
A proposta do Executivo Estadual tem o cuidado, ainda, de instituir uma gestão responsÔvel para o Fundeinfra e, consequentemente, para os recursos por ele captados. O fundo terÔ um Conselho Gestor composto por representantes da gestão pública estadual e da iniciativa privada, nomeados pelo governador, com mandato de 12 meses e sem remuneração.
O projeto de lei cria também o Conselho Fiscal, composto por um representante da Secretaria de Economia, um da Controladoria Geral do Estado e outro do setor privado, para acompanhar a captação e a aplicação dos recursos do fundo.