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A corrida pelos minerais estratégicos no solo goiano

Minaçu e Nova Roma recebem aportes para dobrar produção de concentrado mineral até 2030

A corrida pelos minerais estratégicos no solo goiano: o estado de Goiás desponta como um dos principais eixos  na produção de terras raras, elementos minerais essenciais para a indústria de alta tecnologia, defesa e transição energética. Mineradoras como a Aclara, com operações em Nova Roma, e a Serra Verde, sediada em Minaçu, garantiram aportes expressivos da agência norte-americana U.S. International Development Finance Corporation, totalizando aproximadamente 470 milhões de dólares.

Esses investimentos visam acelerar a extração desses minerais críticos, fundamentais para a fabricação de ímãs de alto desempenho e baterias. Contudo, o cenário apresenta um desafio estrutural: grande parte do processamento desse concentrado será realizada em território estrangeiro, especialmente nos Estados Unidos, o que limita a retenção de valor agregado e a criação de postos de trabalho altamente qualificados em solo goiano.

A corrida pelos minerais estratégicos no solo goiano

No Projeto Carina, em Nova Roma, a Aclara obteve 5 milhões de dólares em setembro de 2025 para finalizar os estudos de viabilidade técnica. A previsão é que a construção da unidade mineradora tenha início em 2026, com o objetivo de entregar um produto com 95% de pureza. Paralelamente, a empresa projeta uma refinaria nos Estados Unidos para 2028, com investimento de 277 milhões de dólares, visando atender a demanda norte-americana por terras raras pesadas.

Já a mineradora Serra Verde, que detém a única operação ativa de terras raras no Brasil, recebeu um aporte de 465 milhões de dólares para a expansão de sua mina em Minaçu. Segundo dados do Governo do Estado de Goiás, a expectativa é que a produção de concentrado alcance 5 mil toneladas anuais até 2027, dobrando esse volume para 10 mil toneladas até o final da década. Os recursos serão destinados à operação e ao refinanciamento de compromissos financeiros da companhia.

O avanço dessas operações coloca Goiás no centro de uma disputa geopolítica acirrada entre os Estados Unidos e a China, país que atualmente domina 90% do refino mundial desses materiais. Especialistas do setor indicam que a instalação de refinarias em território brasileiro poderia elevar significativamente a arrecadação de royalties e tributos, além de garantir maior soberania tecnológica ao país.

Embora o secretário de Indústria e Comércio de Goiás, Joel de Sant’Anna Braga Filho, destaque que o estado é o único das Américas a exportar esses minerais, o debate sobre a industrialização local permanece latente. A Agência Nacional de Mineração acompanha de perto o desenvolvimento dessas reservas, que são consideradas vitais para o futuro da economia verde e da segurança nacional.

Para o Sindicato da Indústria de Mineração Sustentável de Goiás e DF, os acordos de financiamento internacional são sensíveis e estratégicos. O desafio para os próximos anos será transformar a posição de destaque na extração em uma liderança industrial efetiva, assegurando que o potencial geológico se converta em desenvolvimento tecnológico e riqueza para a população regional.

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Crédito da Imagem: Serra Verde/Arquivo/Divulgação

Redação GOYAZ

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