Capa

ALEGO 2025: ajuste fiscal, saúde e eleições esquentarão o segundo semestre

Uma das prioridades do governo Ronaldo Caiado (União Brasil) para este período deve ser a aprovação de medidas de ajuste fiscal e equilíbrio das contas públicas

ALEGO 2025: ajuste fiscal, saúde e eleições esquentarão o segundo semestre: com o retorno dos trabalhos legislativos após o recesso de meio de ano, a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (ALEGO) se prepara para um segundo semestre de 2025 intenso, com uma agenda recheada de projetos e discussões que deverão impactar diretamente a vida dos goianos.

Entre as pautas principais, destacam-se temas econômicos, sociais e administrativos, com o governo estadual buscando apoio para suas propostas e a oposição se articulando para fiscalizar e apresentar alternativas.

ALEGO 2025: ajuste fiscal, saúde e eleições esquentarão o segundo semestre

Uma das prioridades do governo de Ronaldo Caiado (União Brasil) para este período deve ser a aprovação de medidas que visem ao ajuste fiscal e ao equilíbrio das contas públicas. Embora Goiás tenha avançado na recuperação fiscal nos últimos anos, a conjuntura econômica nacional e a necessidade de garantir investimentos em áreas essenciais exigem uma atenção contínua. Projetos relacionados à reforma administrativa, otimização de gastos e novas fontes de receita podem ganhar destaque.

No campo social, a saúde e a educação continuarão sendo pautas centrais. A ALEGO deverá debater projetos que busquem aprimorar a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado, com foco em regionalização, digitalização de serviços e aprimoramento da gestão das unidades. Na educação, as discussões podem girar em torno da expansão do ensino em tempo integral, da valorização dos profissionais da educação e da adequação do currículo às novas demandas do mercado de trabalho.

O desenvolvimento econômico e a atração de investimentos também estarão no radar dos parlamentares. Propostas de incentivos fiscais para novos empreendimentos, desburocratização e modernização de marcos regulatórios devem ser apresentadas, visando gerar empregos e impulsionar a economia goiana. A bancada ruralista, por sua vez, deve defender agendas relacionadas ao agronegócio, como infraestrutura para escoamento da produção e segurança no campo.

Temas Sensíveis e Expectativas

Além das pautas governistas, a ALEGO certamente será palco de debates sobre temas sensíveis e de interesse público. A discussão sobre a gestão de hospitais e unidades de saúde por Organizações Sociais (OSs), que recentemente gerou controvérsia em Goiânia, pode se estender ao âmbito estadual.

Parlamentares da oposição e entidades representativas de servidores da saúde devem exigir maior transparência e fiscalização sobre os contratos, bem como debater alternativas para aprimorar a gestão pública direta.

A segurança pública é outro tema que sempre pauta o legislativo goiano. Projetos que visem ao fortalecimento das forças policiais, à prevenção da criminalidade e à ressocialização de detentos podem ser discutidos, buscando aprimorar os indicadores de segurança no estado.

As eleições municipais de 2024, cujos efeitos ainda reverberam, e as projeções para as eleições de 2026 no estado também influenciarão o cenário político na Casa. Acordos e desacordos entre as bancadas podem ditar o ritmo de aprovação de projetos, especialmente aqueles com maior impacto político e orçamentário.

Além disso, nos bastidores, segundo analistas ouvidos pelo GOYAZ, as movimentações da base governista para iniciar diálogos internos para um nome para vice-governador de Daniel Vilela (MDB) no próximo pleito deve ser intensificado.

O Papel dos Parlamentares

A atuação dos deputados estaduais será crucial neste segundo semestre. Além de analisar e votar as propostas do Executivo, caberá a eles fiscalizar as ações do governo, apresentar emendas a projetos e defender os interesses de suas bases eleitorais.

A ALEGO, como fórum de debates e representação da sociedade goiana, terá um papel fundamental na construção de políticas públicas que atendam às demandas da população e impulsionem o desenvolvimento do estado.

Bastidores Abertos: As Pautas Mais Polêmicas da ALEGO nos Últimos Três Anos e os Projetos de Caiado sob Crítica

Nos últimos três anos, a Alego foi palco de intensos debates e controvérsias, refletindo as tensões políticas e os desafios enfrentados pela gestão estadual. Enquanto o governo de  Caiado buscava aprovar suas reformas e agendas, a oposição se articulava para fiscalizar, questionar e apresentar alternativas, gerando pautas que acenderam os ânimos no plenário e nos bastidores.

Principais Pautas Controversas na ALEGO (2022-2025)

Diversos temas geraram atritos e acaloradas discussões no legislativo goiano, com destaque para:

  • Gestão da Saúde por Organizações Sociais (OSs): Essa tem sido, sem dúvida, uma das pautas mais recorrentes e controversas. Debatida exaustivamente em audiências públicas e no plenário, a gestão da saúde por OSs é frequentemente criticada pela oposição e por entidades sindicais. As principais queixas giram em torno da falta de transparência nos gastos, da precarização das relações de trabalho (em detrimento do regime estatutário) e da suposta ineficiência na prestação de serviços. Há acusações de que o modelo, embora previsto em lei, desvirtuou-se de seu propósito original, levando a desperdício de dinheiro público e a atrasos em acertos trabalhistas, como o caso do Hospital de Urgências de Goiás (Hugo).
  • Reforma Administrativa Estadual: Inspirada em debates nacionais, a possibilidade de uma reforma administrativa em nível estadual, visando modernizar a máquina pública e ajustar gastos, também gerou grande repercussão. Embora a pauta federal (PEC 32/20) tenha tido mais visibilidade, qualquer movimentação nesse sentido em Goiás, que envolva a estabilidade de servidores, criação de novos vínculos ou reestruturação de carreiras, tende a encontrar forte resistência de sindicatos e da bancada de oposição, que veem risco de precarização do serviço público.
  • Revisão e Criação de Fundos Específicos (como o Fundinfra): Projetos que propõem a criação ou a modificação de fundos estaduais, como o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundinfra), foram objeto de embates. A oposição questionou a destinação dos recursos, a transparência na gestão desses fundos e a possibilidade de que se tornassem “caixas-pretas” ou ferramentas para direcionamento de verbas sem o devido controle. O Fundinfra, por exemplo, que busca viabilizar a aplicação de recursos para obras de infraestrutura em parceria com entidades, gerou dúvidas sobre sua execução e fiscalização.
  • Alterações no Plano de Cargos e Vencimentos da Educação: Propostas do Executivo que alteram o Estatuto e o Plano de Cargos e Vencimentos do Pessoal do Magistério em Goiás também foram pontos de atrito. Embora algumas mudanças visem à valorização dos profissionais (como bônus por resultado), a oposição e representantes da categoria levantaram questionamentos sobre a suficiência dos reajustes, a atualização das funções e a implementação de novas regras de evolução funcional, buscando garantir que as alterações realmente beneficiem os educadores e a qualidade do ensino.

Projetos de Lei de Ronaldo Caiado que Geraram Críticas da Oposição

Dentro do período analisado, Caiado encaminhou projetos de lei que, embora aprovados, não escaparam das críticas da bancada de oposição:

  • Redução da Multa do IPVA: Um projeto que gerou debate foi a proposta de reduzir a multa por atraso no pagamento do IPVA. A medida, que buscou aliviar o bolso do contribuinte, foi vista por parte da oposição como uma forma de flexibilizar a arrecadação em um momento de necessidade fiscal, ou como uma iniciativa que poderia incentivar a inadimplência, mesmo que em menor grau. Contudo, o governo defendeu que a redução visava desonerar o cidadão e facilitar a regularização.
  • Propostas de Reestruturação Administrativa: Caiado realizou reformas administrativas para extinguir ou criar secretarias estaduais e alterar empresas estatais. Embora o governo justifique essas ações como necessárias para a eficiência da máquina pública, a oposição frequentemente criticou a motivação por trás dessas mudanças, levantando preocupações sobre possíveis desaparelhamentos de áreas, aparelhamento político ou até mesmo a criação de novas estruturas com custos desnecessários.
  • Projetos de Parceria Público-Privada (PPPs) e Concessões: Projetos que envolviam a expansão de parcerias com o setor privado para a gestão de serviços ou infraestrutura também foram alvos de questionamento. A oposição sempre se manteve vigilante quanto aos termos desses contratos, alertando para o risco de onerar o Estado a longo prazo, de transferir responsabilidades essenciais para a iniciativa privada sem o devido controle ou de priorizar o lucro em detrimento do interesse público.

Em todos esses casos, a oposição na ALEGO, composta por partidos diversos, utilizou as tribunas e as comissões para argumentar contra as propostas do governo, defendendo pontos de vista alternativos, buscando maior transparência e fiscalização, e muitas vezes apelando para a proteção dos direitos dos servidores públicos e da população mais vulnerável.

A dinâmica entre governo e oposição na ALEGO, especialmente nesses últimos três anos, foi marcada por um constante jogo de forças em torno das pautas que moldam a gestão e o futuro de Goiás.

A presidência da Alego não passará por uma troca no futuro imediato. O atual presidente, Bruno Peixoto (UB), foi reconduzido ao cargo para o biênio 2025/2027 em uma eleição antecipada realizada em outubro de 2024. Sua posse para este novo mandato ocorreu em 1º de fevereiro de 2025.

Bruno foi reeleito por unanimidade, demonstrando a força de sua articulação e o apoio da maioria dos deputados da atual legislatura. A chapa eleita para o biênio 2025-2027, que já está empossada, é composta por:

  • Presidente: Bruno Peixoto (UB)
  • 1º Vice-Presidente: Issy Quinan (MDB)
  • 2º Vice-Presidente: Clécio Alves (Republicanos)
  • 3º Vice-Presidente: Bia de Lima (PT)
  • Primeiro Vice-Presidente Corregedor: Julio Pina (Solidariedade)
  • Segundo Vice-Presidente Corregedor: Lineu Olímpio (MDB)
  • Primeiro-Secretário: Coronel Adailton (Solidariedade)
  • Segundo-Secretário: Wilde Cambão (PSD)
  • Terceiro-Secretário: Amauri Ribeiro (UB)
  • Quarto-Secretário: Cairo Salim (PSD)
  • Quinto-Secretário: Vivian Naves (Progressistas)

Essa composição reflete o equilíbrio de forças e as alianças políticas dentro da Casa, com representação de diversos partidos da base do governo e até mesmo da oposição, no caso da deputada Bia de Lima (PT), que faz parte da bancada governista em alguns aspectos.

Mais notícias da Alego

Mais notícias de Goiás

Redação GOYAZ

Redação Ligação Direta: 36024225 Redação Plantão Whatsapp: ( 62) 983035557
Botão Voltar ao topo