
Ana Paula Rezende deixa MDB, é anunciada como vice de Wilder e muda cenário político em Goiás: a decisão de Ana Paula Rezende de deixar o MDB e se filiar ao Partido Liberal não foi apenas um ato partidário — foi o desfecho de uma articulação construída com discrição ao longo dos últimos meses.
Filha do ex-governador Iris Rezende, ela oficializou a mudança em evento na sede do PL, em Goiânia, nesta sexta-feira (20), já sob o anúncio de que será pré-candidata a vice na chapa encabeçada por Wilder Morais ao governo de Goiás.
Ana Paula Rezende deixa MDB, é anunciada como vice de Wilder e muda cenário político em Goiás
O anúncio foi feito publicamente ao lado do próprio Wilder Morais e do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, gesto que deu dimensão nacional ao movimento e sinalizou o aval da direção partidária à composição em Goiás.
A presença de Valdemar reforçou que a articulação não se limitou ao plano estadual, mas integra estratégia mais ampla do PL para fortalecer palanques competitivos em 2026.
Nos bastidores, a insatisfação com o MDB se intensificou ao longo de 2025. Interlocutores relatam que, após colocar seu nome à disposição para disputar espaço majoritário, Ana Paula passou a ser deixada à margem das principais decisões partidárias.
Reuniões estratégicas ocorreram sem sua presença, articulações avançaram sem diálogo e a prioridade foi consolidar a chapa governista liderada pelo vice-governador e presidente da legenda em Goiás, Daniel Vilela (MDB).
Aliados da ex-emedebista afirmam que ela foi politicamente subestimada dentro do próprio partido. A avaliação é de que Daniel não dimensionou sua capacidade de articulação silenciosa.
Enquanto mantinha postura institucional em público, Ana Paula ampliava conversas reservadas com prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias, costurando alternativas fora da estrutura governista.
A disputa pelas vagas ao Senado também pesou. Com a primeira posição já vinculada à primeira-dama Gracinha Caiado e a segunda tratada como ativo estratégico de negociação, o espaço interno se estreitou.
Permanecer no MDB significaria aceitar papel secundário no processo eleitoral — cenário que seus aliados classificaram como politicamente inviável.
Para Wilder Morais, a chegada de Ana Paula representa ganho estratégico relevante. A composição agrega o capital simbólico do legado irista, amplia presença na Região Metropolitana de Goiânia e fortalece pontes com segmentos moderados do eleitorado.
Internamente, o PL avalia que a aliança equilibra o discurso da chapa, amplia competitividade e reduz resistências fora do núcleo mais ideológico.
Ao assumir o palanque ao lado de Wilder e sob o aval de Valdemar Costa Neto, Ana Paula não apenas trocou de legenda — mudou de campo político.
De integrante da base governista, passa agora a compor formalmente a oposição. O movimento reorganiza o tabuleiro eleitoral e demonstra que, na política goiana, articulações silenciosas podem produzir efeitos decisivos.