Aterros Sanitários em Goiás: um panorama de riscos e desafios ambientais
Embora a meta seja a disposição adequada do lixo em aterros sanitários, a realidade mostra um cenário com desafios significativos, incluindo a presença de aterros controlados e lixões a céu aberto

Aterros Sanitários em Goiás: um panorama de riscos e desafios ambientais – a gestão de resíduos sólidos em Goiás é um tema complexo e crucial para a sustentabilidade do estado. Estima-se que o estado possua 36 aterros, a maioria deles de gestão privada, e apenas três públicos.
Goiás, um estado com grande produção agropecuária e crescente urbanização, enfrenta o desafio da gestão de resíduos sólidos.
Aterros Sanitários em Goiás: um panorama de riscos e desafios ambientais
A disposição inadequada do lixo em aterros sanitários, embora seja a opção mais comum, apresenta riscos significativos para o meio ambiente e a saúde pública quando não operados de forma eficiente e fiscalizada.
Atualmente, Goiás conta com um número limitado de aterros sanitários que operam dentro das normas ambientais, e muitos municípios ainda dependem de lixões a céu aberto ou aterros controlados que não oferecem a segurança necessária.
A situação exata do número de aterros e lixões é dinâmica, com novos empreendimentos surgindo e outros sendo desativados ou regularizados, mas a realidade é que a maioria dos resíduos ainda não recebe o tratamento ideal.
Aterro Sanitário de Goiânia
O Aterro Sanitário de Goiânia, localizado na BR-153, é o maior e mais complexo do estado, recebendo diariamente milhares de toneladas de lixo da capital e de alguns municípios vizinhos. Gerido pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), sua história é marcada por desafios e polêmicas.
Situação e Riscos: Apesar dos esforços para operar como aterro sanitário, o local frequentemente enfrenta problemas de sobrecarga e questões relacionadas à sua vida útil. Os principais riscos ambientais incluem:
- Produção de Chorume: O chorume, líquido altamente poluente gerado pela decomposição do lixo, é uma das maiores preocupações. Se não for devidamente tratado e impermeabilizado, pode contaminar o solo e, principalmente, as águas subterrâneas (lençóis freáticos) e superficiais (córregos e rios), afetando ecossistemas e o abastecimento de água.
- Emissão de Gases de Efeito Estufa: A decomposição anaeróbica do lixo gera metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), gases com alto potencial de aquecimento global. Embora existam sistemas para a captação e queima desses gases, vazamentos ou falhas na operação podem agravar a poluição atmosférica.
- Proliferação de Vetores: A presença de lixo atrai animais como ratos, baratas, moscas e urubus, que podem atuar como vetores de doenças para a população local e para trabalhadores do aterro.
- Odores e Poluição Visual: O mau cheiro e a paisagem degradada são impactos diretos que afetam a qualidade de vida das comunidades vizinhas.
Aterros Regionais e Aterros Controlados
Além do aterro da capital, existem outros aterros que atendem cidades de médio e grande porte, como Rio Verde, Anápolis, Catalão, Itumbiara, entre outras.
A situação desses aterros é variada. Alguns operam de forma mais próxima aos padrões de aterro sanitário, enquanto outros ainda funcionam como aterros controlados, uma categoria intermediária entre o lixão e o aterro sanitário.
Aterros Controlados: Nesses locais, o lixo é depositado em camadas e coberto com terra periodicamente, mas não possuem a mesma infraestrutura de um aterro sanitário. Isso significa que eles carecem de sistemas adequados de drenagem e tratamento de chorume, impermeabilização de solo e controle de gases, aumentando os riscos de:
- Contaminação do Solo e da Água: A ausência de impermeabilização total permite que o chorume se infiltre no solo, atingindo o lençol freático e cursos d’água.
- Dificuldade no Controle de Gases: A liberação de metano e outros gases é menos controlada, contribuindo para a poluição atmosférica e o efeito estufa.
- Menor Segurança Operacional: A falta de infraestrutura completa aumenta os riscos para os trabalhadores e para a comunidade do entorno.
A qualidade e o tipo de operação nesses locais variam, com alguns funcionando como aterros sanitários e outros como aterros controlados.
- Rio Verde: A situação do aterro em Rio Verde, assim como a de outros municípios, está em constante evolução. Os riscos aqui, como em qualquer aterro, são a contaminação do solo e da água pelo chorume e a emissão de gases, dependendo da infraestrutura de contenção e tratamento.
- Anápolis: Sendo um importante polo logístico e industrial, Anápolis lida com um grande volume de resíduos. Os desafios ambientais estão relacionados à capacidade de tratamento do chorume e ao controle das emissões de gases, especialmente em locais onde o pré-tratamento de resíduos industriais é deficiente.
- Catalão: Estudos indicam que aterros, mesmo os mais jovens, podem apresentar riscos moderados que se agravam com o tempo, especialmente se não houver cobertura adequada do lixo. Riscos como lixiviados que percolam no solo e afetam a água subterrânea e a liberação de gases poluentes são preocupações constantes.
- Itumbiara: Assim como em outras localidades, o aterro de Itumbiara enfrenta os riscos inerentes à decomposição do lixo, incluindo a liberação de gases de efeito estufa (metano e CO2), gases com odor (sulfeto de hidrogênio e amônia) e compostos orgânicos voláteis (COVs). A exposição prolongada a esses poluentes pode levar a problemas respiratórios e outras doenças na população vizinha.
Lixões a Céu Aberto: Uma Realidade Persistente
Apesar das políticas nacionais de resíduos sólidos que visam a erradicação dos lixões, muitos municípios goianos, especialmente os de menor porte, ainda os utilizam. Os lixões a céu aberto são o pior cenário para a destinação de resíduos, e representam uma ameaça constante.
Riscos dos Lixões:
- Alta Contaminação: A ausência de qualquer controle ambiental leva à contaminação massiva do solo, água e ar. O chorume escorre livremente, e o lixo exposto atrai vetores de doenças.
- Queimadas Frequentes: Lixões são propensos a incêndios espontâneos, liberando fumaça tóxica e contribuindo para a poluição do ar.
- Impacto Social e de Saúde: Muitas famílias sobrevivem da catação nesses locais, expostas a doenças e condições subumanas.
Desafios e Perspectivas para Goiás
A gestão de resíduos em Goiás enfrenta múltiplos desafios:
- Investimento: A construção e manutenção de aterros sanitários adequados exigem altos investimentos, muitas vezes inviáveis para municípios menores.
- Conscientização: A falta de conscientização da população sobre a importância da separação e reciclagem de resíduos agrava o problema da grande quantidade de lixo a ser descartado.
- Fiscalização: A fiscalização ambiental precisa ser contínua e rigorosa para garantir que os aterros existentes operem dentro das normas e para coibir o surgimento de novos lixões.
- Soluções Alternativas: É fundamental incentivar e investir em soluções alternativas à disposição final em aterros, como a reciclagem, compostagem, aterros consorciados (que atendem vários municípios) e, em alguns casos, a valorização energética do lixo.
A busca por uma gestão de resíduos sólidos eficiente e sustentável em Goiás é um caminho complexo, mas essencial para proteger o meio ambiente, garantir a saúde pública e promover o desenvolvimento sustentável do estado.
A cooperação entre governo, empresas e sociedade civil é fundamental para superar esses desafios e construir um futuro mais limpo para todos.
Apesar das proibições e das políticas de erradicação, lixões a céu aberto ainda são uma realidade em muitos municípios de Goiás, especialmente os de menor porte. São o cenário mais crítico para a disposição de resíduos e representam um perigo iminente.
Riscos dos Lixões a Céu Aberto:
- Contaminação Generalizada: Sem qualquer infraestrutura, o lixo libera chorume diretamente no solo e na água, causando contaminação severa. A poluição do ar também é constante devido à queima irregular e à decomposição descontrolada.
- Incêndios e Fumaça Tóxica: Lixões são propensos a incêndios espontâneos ou provocados, liberando fumaça tóxica que afeta a saúde respiratória das comunidades próximas.
- Impacto Social e de Saúde: Milhares de pessoas, muitas delas em situação de vulnerabilidade, trabalham nos lixões como catadores, expondo-se diariamente a doenças infecciosas, acidentes e substâncias perigosas.
- Perda de Recursos: Materiais recicláveis são descartados e perdidos, representando um desperdício econômico e ambiental.
O Caminho à Frente: Desafios e Soluções
A gestão de resíduos em Goiás exige um esforço contínuo e integrado:
- Investimento em Infraestrutura: É fundamental investir na construção de aterros sanitários modernos e na adequação dos existentes, com sistemas de tratamento de chorume e captação de gases.
- Consorciamento de Municípios: A criação de consórcios intermunicipais para a gestão de resíduos pode otimizar recursos e viabilizar aterros sanitários para cidades menores.
- Incentivo à Reciclagem e Compostagem: Reduzir a quantidade de lixo que vai para os aterros é crucial. Programas de coleta seletiva, reciclagem e compostagem precisam ser ampliados e efetivados.
- Fiscalização e Legislação Rigorosa: É vital que os órgãos ambientais fiscalizem de perto a operação dos aterros e atuem para erradicar os lixões.
- Conscientização Pública: A educação ambiental é chave para engajar a população na redução, reutilização e reciclagem de resíduos.
A transição para um sistema de gestão de resíduos mais sustentável em Goiás é um processo contínuo, que demanda planejamento, investimento e a colaboração de todos os setores da sociedade para mitigar os riscos ambientais e sociais.