Auditorias da CGE expõem falhas na gestão de obras públicas em Goiás
Relatório da Controladoria Geral do Estado aponta fragilidades em fiscalização, cronogramas e controle de custos em contratos de infraestrutura

Auditorias da CGE expõem falhas na gestão de obras públicas em Goiás: a Controladoria-Geral do Estado (CGE) publicou, no Diário Oficial de 27 de fevereiro de 2026, relatório técnico com recomendações administrativas decorrentes de auditorias em contratos de obras públicas.
O documento detalha fragilidades operacionais na gestão de recursos, no acompanhamento físico-financeiro e na fiscalização dos cronogramas de execução, com foco em aprimorar a governança e reduzir riscos de ineficiência na aplicação do erário.
Auditorias da CGE expõem falhas na gestão de obras públicas em Goiás
As auditorias indicam que parte das inconsistências está associada à fase inicial dos processos, especialmente na elaboração de editais e termos de referência. A CGE recomenda a padronização de critérios técnicos, revisão das planilhas orçamentárias e fortalecimento dos mecanismos de controle preventivo, de modo a mitigar divergências entre o custo estimado e a execução real das obras.
No campo dos processos licitatórios, o relatório sugere ajustes metodológicos nas métricas de medição de serviços e na estrutura de composição de preços. A avaliação técnica aponta que falhas na parametrização de custos e na definição de escopo tendem a abrir margem para reequilíbrios contratuais frequentes, o que impacta diretamente o planejamento orçamentário do Estado.
Outro ponto sensível destacado pela Controladoria é a gestão de cronogramas. Segundo a análise, atrasos recorrentes em etapas críticas de execução revelam fragilidades no monitoramento técnico e na fiscalização de campo, o que eleva o risco de paralisações, aditivos e reprogramações financeiras ao longo da vigência contratual.
Do ponto de vista administrativo, a CGE orienta que os órgãos auditados apresentem planos de ação com metas, prazos e responsáveis definidos, dentro dos parâmetros legais de cumprimento das recomendações. A medida reforça o papel do controle interno como instrumento de correção de rotas antes da judicialização ou da abertura de processos sancionatórios.
As recomendações também abrangem a capacitação técnica de fiscais de contrato e equipes de engenharia, com ênfase no monitoramento de conformidade técnica, medição adequada de serviços executados e análise documental robusta. A Controladoria avalia que a qualificação dos agentes públicos é fator decisivo para reduzir a incidência de aditivos contratuais sem justificativa técnica consistente.
Sob análise de impacto fiscal, o relatório sinaliza que a melhoria dos mecanismos de controle pode gerar economia indireta ao Estado, ao reduzir desperdícios, retrabalhos e sobrecustos decorrentes de falhas de planejamento. Em contratos de infraestrutura, pequenas distorções técnicas tendem a produzir efeitos financeiros cumulativos, pressionando o orçamento público ao longo dos exercícios.
Há ainda impacto institucional relevante. O fortalecimento dos controles em obras públicas eleva o nível de transparência e previsibilidade na execução de projetos estruturantes, especialmente em áreas como mobilidade, saneamento e infraestrutura urbana. Isso contribui para maior credibilidade da gestão pública perante órgãos de controle externo e investidores.
Do ponto de vista da governança, o relatório reforça uma tendência de profissionalização da gestão contratual no Estado, com maior integração entre planejamento, execução e fiscalização. A lógica é migrar de um modelo reativo, baseado em correções posteriores, para um modelo preventivo, centrado em análise de risco e controle técnico contínuo.
Especialistas em gestão pública avaliam que a atuação preventiva da CGE tende a reduzir litígios administrativos e disputas contratuais, além de diminuir a necessidade de reequilíbrios financeiros ao longo das obras. A recomendação de revisão periódica das planilhas de custos também se alinha ao cenário inflacionário do setor de construção, marcado por oscilações em insumos e serviços especializados.
O detalhamento completo dos processos auditados pode ser consultado no portal da Controladoria-Geral do Estado e na edição do Diário Oficial de 27 de fevereiro de 2026. A implementação efetiva das recomendações dependerá da capacidade de resposta dos órgãos executores, que deverão adaptar procedimentos internos, reforçar a fiscalização técnica e alinhar a execução das obras aos padrões de controle estabelecidos.