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Blecautes e escassez de combustível agravam crise em Cuba

A suspensão de fornecimento externo e limitações na geração elétrica levaram a racionamento de serviços essenciais e à redução de atividades econômicas. Protestos, restrições hospitalares e cancelamento de voos refletem o impacto sobre a população.

Um novo blecaute elétrica atingiu várias províncias de Cuba e deixou infraestrutura pública e serviços básicos operando com capacidade reduzida. A estatal responsável pela rede informou que não identificou falhas nas unidades geradoras que estavam em operação antes do colapso e que a energia retornou parcialmente em parte do território.

Especialistas e autoridades apontam que as dificuldades coincidem com a suspensão do fornecimento de combustíveis oriundos da Venezuela em decorrência de medidas impostas por Washington após a captura de Nicolás Maduro no início de janeiro. O bloqueio agravou a disponibilidade de petróleo destinada à geração térmica e forçou cortes programados e racionamento de suprimentos em hospitais, afetando tratamentos e serviços de atendimento primário.

No mercado paralelo os preços de combustíveis chegaram a níveis que tornam o abastecimento de um veículo particular proibitivo para a maioria dos domicílios, superando valores equivalentes à renda anual média. Autoridades locais relatam que encher um tanque pode custar o equivalente a centenas de dólares no mercado informal o que amplia a pressão social e limita a mobilidade urbana diária.

Moradores de Morón saíram às ruas em resposta aos cortes de energia e dificuldades no acesso a alimentos, manifestações que ocorreram no sábado (14) de janeiro segundo relatos locais. O presidente Miguel Díaz-Canel declarou que nenhum carregamento de petróleo foi entregue à ilha nos últimos três meses e que o impacto das restrições se manifesta com especial intensidade nas questões energéticas.

Havana contestou formalmente as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e solicitou a revogação das medidas que impedem a entrada de combustíveis e de insumos estratégicos no país. Representantes cubanos informaram ainda que tentaram diálogo bilateral para identificar pontos de solução e minimizar o impacto humanitário, mas não foi detalhado o andamento dessas conversas.

O governo implementou medidas de emergência como redução do horário escolar adiamento de eventos e cortes no transporte público para economizar combustível e priorizar serviços essenciais. Hospitais públicos diminuíram atendimento não urgente e a indisponibilidade de caminhões coletores intensificou o acúmulo de resíduos em bairros inteiros criando riscos sanitários imediatos.

Companhias aéreas internacionais reduziram ou suspenderam voos para a ilha depois que escassez de combustível de aviação passou a afetar operações e conexões regionais. Dados de monitoramento de tráfego indicam queda acentuada no fluxo de internet e especialistas consideram que cortes prolongados de energia reduzem a capacidade de comunicação e acesso a serviços digitais.

O presidente dos Estados Unidos afirmou em pronunciamento na Casa Branca que Cuba enfrenta dificuldades severas e levantou possibilidade de intervenções variadas sem detalhar formato ou prazos. Os comentários geraram reações internacionais e preocupação em setores diplomáticos que pedem clarificações sobre intenções e sobre o impacto humanitário potencial de ações externas.

Analistas dizem que a continuidade dos apagões depende tanto de decisões externas sobre fornecimento de combustíveis quanto de investimentos domésticos na manutenção e modernização do parque gerador. A perspectiva imediata permanece incerta enquanto autoridades insulares anunciam medidas temporárias e a sociedade busca alternativas para reduzir os efeitos sobre serviços essenciais e atividades econômicas locais.

Redação GOYAZ

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