
O governo brasileiro decidiu que não irá suspender vistos de autoridades norte-americanas em resposta às medidas impostas pelos Estados Unidos contra integrantes da atual administração federal. Apesar da restrição, o Palácio do Planalto optou por não “espelhar” a iniciativa norte-americana, segundo interlocutores da Presidência.
Brasil descarta retaliar sanções dos EUA com cancelamento de vistos
Mesmo que Washington amplie as sanções e passe a impedir a entrada de ministros de Estado ou da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), hipótese ventilada em círculos bolsonaristas, o Itamaraty avalia que a reação continuará restrita a notas oficiais e menções em discursos públicos. A orientação é evitar ações mais duras para não “cair em provocações” da Casa Branca.
Pressão sobre o encarregado de negócios
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entende que a diplomacia norte-americana busca um pretexto para forçar a expulsão do encarregado de negócios Gabriel Escobar, o mais alto representante dos EUA em Brasília desde que Donald Trump não indicou embaixador para o Brasil. Na visão do governo brasileiro, a saída de Escobar abriria caminho para que Washington também retirasse a embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
Numa tentativa de reduzir a tensão, o Ministério das Relações Exteriores convocou Escobar na semana passada para explicar a publicação, pela embaixada, de notas com críticas de autoridades da administração Trump ao Executivo e ao Judiciário brasileiros. O diplomata respondeu que cumpre determinações de seu governo.
Assimetria reconhecida
Nos bastidores, assessores do Planalto apontam que a disputa tem “assimetria de armas” e que o Brasil é a parte mais vulnerável. A estratégia, portanto, é reforçar junto à comunidade internacional a narrativa de que o país está sendo alvo de sanções e tarifas injustificadas, como o aumento de 50% em algumas taxas de importação anunciado anteriormente pelos EUA.
Para os estrategistas, a postura moderada evita o agravamento das penalidades e reforça a imagem do Brasil como nação prejudicada. Até o momento, o governo considera que esse objetivo vem sendo alcançado.
Mais detalhes sobre protocolos diplomáticos podem ser consultados no portal oficial do Ministério das Relações Exteriores, que reúne notas e comunicados sobre a política externa brasileira.
Para acompanhar outras movimentações na cena política, confira a cobertura completa na seção de Política do Goyaz.
O governo seguirá monitorando a situação e calibrando suas respostas enquanto aguarda próximos passos de Washington.
Fique informado: continue acompanhando nosso portal para receber atualizações a qualquer momento.
Crédito da imagem: REUTERS/Jonathan Ernst