Caiado sai do jogo presidencial e provoca terremoto na própria base
Disputa ao Senado pode implodir articulações já anunciadas para 2026

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, não será candidato à Presidência da República em 2026. A informação foi divulgada pelo jornalista Merval Pereira nesta sexta-feira (13), após apuração sobre os movimentos partidários no cenário nacional e a redefinição das prioridades estratégicas no campo da centro-direita.
Sem respaldo político conjunto de União Brasil e Progressistas, o projeto presidencial do chefe do Executivo goiano foi retirado do radar da sucessão ao Palácio do Planalto.
O isolamento ficou ainda mais evidente com o avanço das articulações do PSD, que, segundo informações de Merval Pereira, deve oficializar no próximo dia 27 deste mês o anúncio do governador do Paraná, Ratinho Júnior, como candidato da legenda à Presidência.
A guinada estratégica ocorre após Caiado percorrer o país em agendas políticas e entrevistas nas quais afirmou de forma categórica que disputaria o Planalto.
Agora, com o reposicionamento no tabuleiro eleitoral, a tendência é que o governador permaneça no União Brasil para preservar o comando da sigla em Goiás e passe a trabalhar uma candidatura ao Senado Federal como alternativa de sobrevivência política após o término do mandato.
A eventual entrada na corrida senatorial, contudo, tende a produzir desgaste interno e impactos negativos na base governista, que já vinha articulando outros nomes para a disputa.
Entre os potenciais afetados estão a primeira-dama Gracinha Caiado, do União Brasil, o senador Vanderlan Cardoso, do PSD, e o ex-ministro Alexandre Baldy, ligado ao Progressistas.
A mudança de planos é vista por aliados como fator de instabilidade, capaz de provocar disputa interna por espaço e tensionar acordos previamente alinhavados.
A avaliação no meio político é de que o recuo presidencial expõe fragilidade de articulação nacional e pode comprometer o discurso de liderança política que vinha sendo construído pelo governador.
A readequação para uma candidatura ao Senado também é interpretada como movimento pragmático para garantir mandato e prerrogativas institucionais, mas carrega o risco de desgaste eleitoral e de fissuras no grupo político que sustenta o governo estadual.
Com o cenário redesenhado, o projeto de sucessão em Goiás passa a enfrentar maior grau de incerteza, enquanto lideranças aliadas recalculam rotas diante de um ambiente mais competitivo e menos previsível.
A mudança de estratégia de Caiado, além de esfriar o discurso nacional, tende a acirrar disputas regionais e a colocar à prova a capacidade de coesão da base governista rumo às eleições de 2026.