Cármen Lúcia defende transparência de juízes em ano eleitoral
Presidente do TSE destaca necessidade de confiança pública nas instituições

Cármen Lúcia defende transparência de juízes em ano eleitoral: a ministra Cármen Lúcia defendeu nesta segunda-feira (2) a adoção de critérios de conduta e transparência para magistrados durante o ano eleitoral de 2026. Em pronunciamento, a magistrada afirmou que a atuação dos juízes deve ser pautada pela observância ética para assegurar a confiança pública no processo de votação.
Cármen Lúcia defende transparência de juízes em ano eleitoral
A manifestação ocorreu durante a sessão de abertura dos trabalhos no Tribunal Superior Eleitoral, instituição presidida pela ministra. Segundo o discurso, a legitimidade das decisões judiciais depende da clareza sobre as motivações e atos dos juízes eleitorais, visando mitigar questionamentos sobre a integridade do pleito.
Para a ministra, a ausência de transparência em órgãos estatais e a aplicação injustificada de sigilos sobre informações públicas comprometem a estabilidade institucional e o exercício da cidadania. Cármen Lúcia ressaltou que a proteção de dados sensíveis não deve servir como fundamento para restringir o acesso a dados relativos à gestão e ao poder público.
As declarações ocorrem em um contexto de debate no Supremo Tribunal Federal acerca da condução de inquéritos sob sigilo. O tema ganhou relevância após decisões do ministro Dias Toffoli no âmbito do Caso Master, que envolveu questionamentos sobre relações entre integrantes da Corte e instituições financeiras.
Diante do cenário, o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, anunciou a criação de um grupo de trabalho para elaborar o Código de Ética do STF. A ministra Cármen Lúcia foi designada relatora da proposta, que buscará estabelecer normas para prevenir conflitos de interesses e disciplinar a conduta dos magistrados da cúpula do Judiciário.
No âmbito eleitoral, a ministra antecipou que apresentará, no dia 10 de fevereiro, uma recomendação aos presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais. O documento deve orientar juízes sobre a moderação em manifestações públicas, a vedação de vínculos políticos e a proibição do recebimento de gratificações que possam comprometer a imparcialidade jurisdicional.
As diretrizes também sugerem que os magistrados evitem a presença em eventos sociais ou corporativos com candidatos. O objetivo da medida é reforçar o afastamento de atividades não judiciais que apresentem potencial para gerar suspeição sobre a atuação da magistratura durante o período de campanha e votação.