
Casa Branca estuda opções militares para presença na Groenlândia: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou o interesse do governo americano em obter o controle da Groenlândia, proposta apresentada originalmente em 2019. O argumento central da Casa Branca baseia-se na relevância estratégica da ilha para a segurança nacional e para a defesa aeroespacial da América do Norte. Segundo comunicado oficial emitido na terça-feira, 6, a administração federal avalia diversas modalidades para viabilizar a aquisição do território, mencionando inclusive a possibilidade de emprego das Forças Armadas em um contexto de expansão da presença militar no Ártico.
Casa Branca estuda opções militares para presença na Groenlândia
O governo da Dinamarca e as autoridades autônomas da Groenlândia reagiram com pedidos de reuniões bilaterais urgentes para tratar do tema. O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, defendeu a substituição de tensões retóricas por um diálogo institucional. Atualmente, a Groenlândia possui o status de território autônomo sob a soberania do Reino da Dinamarca, conforme estabelecido na Constituição dinamarquesa (https://www.thedanishparliament.dk/en/democracy/the-constitutional-act-of-denmark). Embora a ilha não seja membro individual da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), sua segurança é garantida pela adesão da Dinamarca à aliança militar (https://www.nato.int).
A localização da ilha é considerada vital para o sistema de alerta antecipado contra mísseis balísticos dos Estados Unidos. Washington manifestou a intenção de ampliar a infraestrutura de radares na região para monitorar o tráfego de embarcações russas e chinesas no Atlântico Norte. Trump afirmou que a medida é necessária devido à presença crescente de ativos navais estrangeiros na costa groenlandesa. Contudo, dados de navegação internacional indicam que a maior parte do fluxo marítimo da China no Ártico concentra-se na Rota Marítima do Norte, adjacente ao litoral da Rússia.
Os Estados Unidos já mantêm uma estrutura militar permanente na ilha por meio da Base Aérea de Pituffik. A presença é regida por um tratado de defesa assinado em 1951 entre Washington e Copenhague, que permite a movimentação de tropas americanas mediante notificação prévia. A Dinamarca historicamente acomoda os interesses de segurança dos EUA devido à limitação de recursos próprios para a defesa do território ártico e às garantias de proteção mútua oferecidas pelo Departamento de Defesa americano (https://www.defense.gov).
A proposta de controle americano enfrenta resistência de líderes europeus e do Canadá. O governo da França, em coordenação com Alemanha e Polônia, informou que trabalha em planos de resposta conjunta para preservar a integridade territorial dinamarquesa. Uma eventual ação militar contra um aliado da Otan é vista por analistas diplomáticos como um fator de risco para a coesão da aliança ocidental. O Ministério das Relações Exteriores da França reforçou que qualquer alteração no status da ilha deve respeitar a vontade da população local.
Juridicamente, a Groenlândia conquistou ampla autonomia em 2009, o que inclui o direito de pleitear independência total por meio de referendo popular. A Lei de Autogoverno (https://naalakkersuisut.gl/en) estabelece que o parlamento local, Inatsisartut, pode iniciar negociações de separação, desde que aprovadas por consulta pública e consentimento do parlamento dinamarquês. Pesquisas de opinião sugerem que a maioria dos 57 mil habitantes apoia a independência a longo prazo, mas mantém cautela quanto à viabilidade econômica, dado que os subsídios dinamarqueses compõem metade do orçamento público da ilha.
Crédito da Imagem: 09/03/2025 REUTERS/Marko Djurica