Aparecida adota a estratégia dos Wolbitos
Método recomendado pela OMS, que reduziu casos de dengue em 88% no Rio de Janeiro, será expandido em Goiás

Aparecida adota a estratégia dos Wolbitos: a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Aparecida de Goiânia, por intermédio da Superintendência de Vigilância em Saúde, sediará nesta quarta-feira, 10 de dezembro, às 9h, uma importante reunião técnica. O objetivo principal do encontro é apresentar e alinhar as próximas etapas do Projeto Wolbachia, uma inovadora tecnologia de saúde pública utilizada no Brasil com o propósito de prevenir a ocorrência de dengue, Zika, chikungunya e febre amarela.
O evento acontecerá na sede da SMS e reunirá um grupo multidisciplinar de especialistas e gestores. Estarão presentes equipes do Controle de Vetores dos municípios vizinhos de Trindade e Anápolis, representantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES), renomados especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) — instituição que coordena a iniciativa no país — e profissionais da empresa Wolbito Brasil.
Aparecida adota a estratégia dos Wolbitos
Em Aparecida de Goiânia, o Projeto Wolbachia é implementado por meio de uma parceria estratégica entre o município, a SES, a Fiocruz e o Ministério da Saúde (MS). Conforme detalhado pelo superintendente de Vigilância em Saúde, Iron Pereira, o plano de implantação abrange 25 bairros da cidade. Esta ação beneficiará aproximadamente 295 mil moradores, contribuindo de forma significativa para a redução da circulação do mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, da incidência de arboviroses em toda a região.
A Superintendência de Vigilância em Saúde municipal é a unidade responsável por conduzir a programação completa e por coordenar a articulação técnica necessária entre todos os municípios e instituições envolvidas neste esforço conjunto de saúde pública. Para informações mais detalhadas sobre a estratégia nacional, é possível acessar o site oficial da Fiocruz sobre o Método Wolbachia.
Entendendo a Tecnologia Wolbachia
O Método Wolbachia consiste na introdução da bactéria Wolbachia no mosquito Aedes aegypti. Esta bactéria é amplamente encontrada na natureza, estando presente em cerca de 60% das espécies de insetos, mas não no Aedes aegypti. Uma vez inoculada, a Wolbachia atua bloqueando o desenvolvimento dos vírus das arboviroses dentro do mosquito, o que reduz drasticamente sua capacidade de transmitir doenças aos humanos.
Após serem criados em laboratório, os mosquitos que carregam a Wolbachia são liberados no ambiente. Eles se reproduzem com os mosquitos selvagens, garantindo que a bactéria seja transmitida para as futuras gerações. Com o tempo e a continuidade das liberações, estabelece-se uma nova população de mosquitos com menor potencial de disseminar doenças. Estes mosquitos portadores da bactéria são carinhosamente chamados de Wolbitos. É crucial ressaltar que os Wolbitos não são transgênicos, e a Wolbachia é inofensiva para seres humanos e outros mamíferos. A eficácia e segurança do método são endossadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O método já é adotado com sucesso em 14 países. No Brasil, ele é utilizado há mais de dez anos, com resultados notáveis. Em Niterói (RJ), município pioneiro na implementação, houve uma documentada redução de 88% nos casos de dengue após a adoção da estratégia. Curitiba também se destaca pela aplicação bem-sucedida do método.
Crédito da Imagem: Flávio Carvalho(WMP/Brasil)