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Cerca de 60 foragidos operam no Rio ordens de tráfico e homicídios em Goiás

Criminosos evitam prisão em Goiás e continuam a comandar tráfico e homicídios remotamente em favelas do Rio de Janeiro para fugir da Justiça, aponta Polícia Civil

Cerca de 60 foragidos operam no Rio ordens de tráfico e homicídios em Goiás: a Polícia Civil do Estado de Goiás estima que há pelo menos 60 foragidos goianos escondidos em morros do Rio de Janeiro, de onde continuam a comandar crimes como tráfico de drogas e homicídios em Goiás.

O alerta foi dado pelo delegado Marco Antônio Maia, titular da delegacia de Barro Alto (GO), em depoimento à RVC FM. Maia revelou a dimensão do problema, citando que os dois principais criminosos de Goianésia, responsáveis pelo maior volume de homicídios e tráfico na cidade nos últimos três anos, estão atualmente escondidos em favelas cariocas.

“Para você ter ideia, não tenha dúvida, os dois principais criminosos de Goianésia hoje… estão no Rio de Janeiro. São foragidos, estão nas favelas do Rio. A polícia sabe onde está, só que não consegue ir por causa dessas barricadas.”

 

O principal impedimento para a atuação policial, segundo o relato, é o domínio territorial exercido pelas facções criminosas no Rio. As favelas se tornaram áreas inacessíveis, fortificadas com barricadas, dificultando a entrada das forças de segurança.

A realidade local é descrita como “extremamente diferente” da goiana, onde os criminosos dominam vastas áreas territoriais. O depoente menciona um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) indicando que mais de 50% das comunidades têm entrada controlada.

Os foragidos de diversos estados, incluindo Goiás, que estão ligados à facção criminosa que domina essas áreas, utilizam o local como um “quartel-general” e continuam a dar ordens e cometer crimes remotamente, inclusive no estado de Goiás.

A dificuldade da polícia em realizar incursões nos morros cariocas é agravada por questões jurídicas. O depoimento aponta a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, ajuizada no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018/2019, como um fator chave.

A ação, que questionou e buscou proibir a ação policial nas comunidades, resultou em uma decisão liminar do STF que limitou significativamente a atuação da polícia.

“A polícia sabe onde está, só que não consegue ir porque tem essas barricadas. Nesses anos de impasse jurídico e dificuldade de entrar, as favelas se fortaleceram muito. Então hoje as barricadas são mais fortes,” pontua o delegado. Eu morei no Rio, conheço um pouquinho lá, são áreas territoriais onde a população, os criminosos dominam o local, 90% da população lá são pessoas do bem, mas os traficantes dominam essa área e fazem barricadas.

De lá eles cometem o crime aqui no estado de Goiás. Desses 121 mortos, foram 115, 117 criminosos, 4 policiais, 5 eram do estado de Goiás. Mas existem muitos outros foragidos lá. Eu falei, de Goianésia existem dois que eu conheço, que estão lá comandando o crime em Goianésia.

Por que que eles vão lá? Desde 2018 a 2019 tem o ADPF 635, que é uma ação de preceito fundamental que foi ajuizado no STF por um deputado do PSB, onde ele questionava e proibia a ação da polícia. E aí o STF, liminarmente, deu uma decisão onde limitou muito a ação da polícia” explica o delegado

A logística para o cumprimento de mandados de prisão é extremamente complexa. Um exemplo recente da dificuldade foi a grande operação realizada para cumprir 180 mandados de prisão em duas favelas, que necessitou do emprego de 2.500 policiais para garantir a execução da ação. As táticas tiveram de ser especializadas, utilizando o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e a Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) para enfrentar a resistência nas áreas de mata e garantir a segurança.

A Polícia Civil de Goiás segue monitorando a situação dos foragidos e buscando, em coordenação com as forças de segurança do Rio de Janeiro, maneiras de executar os mandados de prisão pendentes.

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, também conhecida como “ADPF das Favelas”, é uma ação ajuizada no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Seu objetivo principal é combater a violação massiva de direitos humanos em operações policiais no estado do Rio de Janeiro. As decisões proferidas pelo STF tiveram impactos significativos na segurança pública:

O depoimento do delegado resume a dinâmica da criminalidade interestadual e os desafios de aplicação da lei no Rio de Janeiro:

  • Elevado Número de Foragidos: A Polícia Civil de Goiás (PCGO) estima ter no mínimo 60 foragidos do estado escondidos em morros do Rio de Janeiro.
  • Comando Remoto: Estes criminosos, incluindo os dois principais responsáveis por tráfico e homicídios em Goianésia, continuam a comandar crimes em Goiás à distância, de dentro das favelas cariocas.
  • Barreiras Físicas (Barricadas): A polícia sabe onde os foragidos estão, mas não consegue entrar devido às barricadas e ao domínio territorial exercido pelos traficantes.
  • Domínio Territorial do Crime: A realidade no Rio é que os criminosos dominam áreas territoriais extensas. Um estudo da UFRJ é citado, indicando que mais de 50% das comunidades têm a entrada controlada pelo crime.
  • Barreiras Jurídicas (ADPF 635): O depoimento argumenta que a ADPF 635 no STF, ao limitar a ação policial, deu tempo para que as favelas se fortalecessem, tornando as barricadas e a logística de entrada mais difíceis.
  • Necessidade de Megaoperações: A dificuldade de acesso é tamanha que uma única operação recente para cumprir 180 mandados exigiu o emprego de 2.500 policiais, incluindo grupos especializados (BOPE e CORE).
  • Baixa Letalidade Civil: O depoente ressalta que, apesar do confronto, o uso de táticas especializadas em operações recentes resultou em poucas vítimas civis (“a gente não viu crianças, a gente não viu mulheres”).

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Crédito da Imagem: Fábio Bento/WikiFavelas/Complexo do Alemão (RJ)

Redação GOYAZ

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