
Chacina de Cavalcante: dois PMs condenados no júri foi o resultado do julgamento popular que analisou a morte de quatro trabalhadores rurais em 2022, na Chapada dos Veadeiros. Após três dias de sessão no Fórum Criminal de Goiânia, o sargento Aguimar Prado de Morais e o soldado Luís César Mascarenhas Rodrigues receberam, respectivamente, 13 anos e 9 meses em regime fechado e 6 anos em regime semiaberto por homicídio qualificado.
O tribunal absolveu outros cinco policiais militares denunciados por participação na ação que resultou em 58 disparos na chácara de Saviano Souza Conceição, uma das vítimas. Cabe recurso para todas as partes, e as defesas já sinalizaram que vão recorrer.
Chacina de Cavalcante: dois PMs condenados no júri
Segundo a sentença do juiz Lourival Machado da Costa, Aguimar comandou a operação “sem planejamento e com informações distorcidas acerca das vítimas”, o que configurou ação criminosa. A decisão destaca que Antônio da Cunha Fernandes, de 35 anos, foi executado dentro de casa, “numa simulação de operação policial”. Saviano, de 63 anos, também foi morto durante a investida que pretendia, oficialmente, coibir o cultivo ilegal de maconha na região.
A acusação sustentou que os sete policiais – entre sargentos, cabo e soldados – montaram uma emboscada para eliminar Saviano, Ozanir Batista da Silva, 46, Alan Pereira Soares, 28, e Antônio Fernandes da Cunha. Todos também respondiam por fraude processual, mas apenas Aguimar e Luís foram responsabilizados pelas mortes de Antônio e Saviano. Os demais foram absolvidos dos crimes contra Ozanir e Alan.
Para assegurar isenção dos jurados, o julgamento ocorreu na capital goiana, longe de Cavalcante. Treze testemunhas foram ouvidas, e o Ministério Público reforçou que a perícia comprovou o uso de armamento pesado. Detalhes do processo podem ser conferidos no G1, veículo que acompanhou a sessão.
A sentença ainda não é definitiva. A defesa de Aguimar informou que pedirá novo julgamento, enquanto o advogado de Luís avalia “medidas jurídicas cabíveis” para reformar a decisão. Até o trânsito em julgado, ambos permanecem com direito a recorrer em liberdade.
Esta condenação marca etapa importante no caso que chocou Goiás e reacende o debate sobre a atuação de forças policiais em áreas rurais.
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Imagem: Armas e plantas de maconha que teriam sido apreendidas pela Polícia Militar no local da chacina – Divulgação PMGO