
CNT aponta a BR-153 como a estrada mais perigosa de Goiás: a BR-153, também conhecida como Rodovia Transbrasiliana, é uma das maiores e mais importantes rodovias do Brasil. Ela corta o país de norte a sul, com uma extensão total de aproximadamente 3.585 quilômetros. A rodovia atravessa oito estados brasileiros.
A rodovia voltou a ser palco de uma tragédia que chocou o país. Em um cenário de devastação, oito membros de uma família e um casal que seguia de moto perderam a vida em um acidente brutal na altura de Campinorte, no Norte de Goiás. Este não é um episódio isolado, mas um triste capítulo em uma rodovia que detém o título de mais letal do estado.
BR-153 é considerada uma das rodovias mais perigosas do Brasil por uma combinação de fatores, que vão desde a sua infraestrutura até a imprudência dos motoristas.
CNT aponta a BR-153 como a estrada mais perigosa de Goiás
A periculosidade da rodovia pode ser atribuída a três pilares principais:
- Infraestrutura: Grande parte da rodovia é de pista simples, o que aumenta o risco de colisões frontais, especialmente em ultrapassagens. Além disso, em alguns trechos não concessionados, as condições do asfalto são precárias, com buracos e falta de sinalização adequada, tornando a direção ainda mais arriscada.
- Imprudência dos Motoristas: A principal causa de mortes e acidentes na BR-153 está diretamente ligada a falhas humanas. Entre as atitudes mais perigosas estão a alta velocidade, a direção sob efeito de álcool e as ultrapassagens em locais proibidos. O tráfego intenso de veículos, incluindo caminhões pesados, exige atenção redobrada, mas muitos motoristas não respeitam as regras básicas de segurança.
- Falta de Engenharia e Fiscalização: Embora a concessão de alguns trechos tenha levado a melhorias, a BR-153 ainda carece de mais duplicações, passarelas e pontos de fiscalização efetivos. A combinação de pista simples com o fluxo intenso de veículos pesados cria um cenário propício para acidentes fatais.
A Rodovia mais Perigosa de Goiás
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta um quadro alarmante: a BR-153 concentrou 27,6% das mortes em rodovias goianas em 2024. A cada quilômetro, o perigo se torna mais iminente, transformando o percurso em um verdadeiro campo minado. As estatísticas oficiais reforçam o perigo constante: em 2024, Goiás contabilizou 3.304 acidentes, com 297 mortes. Embora a maioria das colisões ocorra à luz do dia, o período noturno é o mais fatal, sendo responsável por mais da metade das vidas perdidas — 51,5% das fatalidades.
Causas e Detalhes da Tragédia em Campinorte
A causa da maioria dos acidentes, de acordo com a CNT, não está no asfalto, mas no comportamento humano. Fatores como a falta de reação do motorista, invasões de pista e cochilos ao volante são as principais razões das tragédias. No caso específico de Campinorte, a Polícia Civil, em uma investigação preliminar, apurou que a combinação de alta velocidade com o estado de embriaguez do motorista foram as causas diretas do acidente. Por conta disso, o motorista será indiciado por homicídio doloso, quando há intenção de matar.
As vítimas do acidente em Campinorte incluíam um pai, uma mãe e seus quatro filhos, que viajavam de Jaú do Tocantins com destino a Goiânia para uma festa de aniversário. Um casal de 42 anos, que trafegava de moto, também teve suas vidas interrompidas no local da colisão.
Outras Tragédias e Obras de Segurança
A violência no trânsito da BR-153 não se restringe a este último evento. Em julho, outro acidente de grandes proporções em Porangatu deixou 75 feridos e 4 mortos após a colisão de um micro-ônibus, uma carreta e um ônibus. O grupo, que vinha do Pará, seguia para o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Goiânia.
Na tentativa de reduzir a alarmante frequência de acidentes, a concessionária Ecovias Araguaia iniciou em julho as obras de duplicação de 53,4 km da rodovia, abrangendo os trechos entre Uruaçu, Campinorte, Rialma e Rianápolis. A expectativa é que a ampliação contribua para melhorar o fluxo de veículos e diminuir as colisões frontais, que são frequentes nos trechos de pista simples. A concessionária afirmou, por meio de nota, que tem promovido melhorias contínuas, como a implantação e reforço da sinalização, além de serviços de recapeamento, mas ressaltou que a colaboração dos motoristas é fundamental para garantir a segurança viária.
Crédito da Imagem: IA