
A seleção brasileira foi derrotada pela França por 2 a 1 nesta quinta-feira (26), no Gillette Stadium, em Boston, no primeiro amistoso sob o comando de Carlo Ancelotti. Mesmo com vantagem numérica durante todo o segundo tempo, a equipe não sustentou a intensidade e apresentou dificuldades na conclusão das jogadas. O desempenho individual também gerou discussões.
O goleiro Éderson causou insegurança em saídas de bola, enquanto Vini Jr, principal referência técnica para o Mundial, teve atuação discreta. Apesar de participar de lances pontuais, o novo camisa 10 não conseguiu exercer o protagonismo esperado. No início da partida, o Brasil demonstrou movimentação com Raphinha, Vini Jr e Martinelli, mas falhou na definição. A França, mais organizada, aproveitou os espaços e abriu o placar aos 31 minutos, quando Mbappé finalizou por cobertura após passe de Dembelé.
Para a etapa final, Luiz Henrique substituiu Raphinha e deu maior dinâmica ao setor ofensivo. A pressão brasileira aumentou, especialmente após os 7 minutos, quando Upamecano recebeu cartão vermelho direto por falta em Matheus Cunha. Apesar de nomes como Casemiro e Gabriel Martinelli terem criado oportunidades, o time de Ancelotti não converteu a posse de bola em gols.
O resultado marca um início de ciclo com pontos de atenção para a comissão técnica, especialmente no equilíbrio defensivo e na eficácia do ataque. A fragilidade emocional em momentos de superioridade numérica foi um dos pontos mais debatidos após o apito final. Mesmo com um jogador a mais, o Brasil permitiu que a França controlasse o ritmo em certos trechos, evidenciando uma desconexão entre o meio-campo e os pontas, que ficaram isolados na marcação francesa.
Ancelotti tentou ajustar o posicionamento de Bruno Guimarães para qualificar a saída, mas a marcação alta imposta por Deschamps, mesmo com dez homens, dificultou a progressão. O goleiro Maignan também teve papel fundamental, realizando defesas seguras em chutes de média distância de Rodrygo. A torcida presente em Boston manifestou certa impaciência com a falta de criatividade, cobrando uma postura mais agressiva.
No vestiário, o clima era de análise fria sobre a necessidade de tempo para que o novo sistema tático seja absorvido pelos atletas. A ausência de um centroavante de ofício em determinados momentos do jogo pareceu limitar as opções de cruzamento, forçando jogadas individuais que esbarraram na sólida defesa composta por Konaté e Saliba.
O próximo compromisso da seleção servirá para testar novas variações, possivelmente com a entrada de Endrick desde o início para dar mais profundidade ao ataque. A comissão técnica entende que o revés contra uma das principais potências do futebol mundial faz parte do processo de amadurecimento, mas a cobrança por resultados imediatos no Brasil é um fator que Ancelotti já começa a sentir.
A análise detalhada dos dados de GPS e mapas de calor mostraram que a ocupação de espaços foi irregular, deixando o corredor central vulnerável a contra-ataques rápidos. Espera-se que, nos treinamentos da próxima semana, o foco seja a recomposição defensiva e o aproveitamento das chances criadas, evitando que o domínio territorial seja estéril como o observado nesta exibição em solo americano.