Controladoria-Geral de Goiás cria comitê para otimizar gestão de projetos
Novo conselho na CGE busca agilizar, mas pode centralizar poder e gerar burocracia

Controladoria-Geral de Goiás cria comitê para otimizar gestão de projetos: em um movimento para aprimorar a eficiência e a transparência em suas operações, a Controladoria-Geral do Estado de Goiás (CGE) instituiu o Comitê de Governança de Projetos.
A medida, formalizada pela Portaria Nº 169, publicada nesta quarta-feira (20), visa garantir que os projetos e programas do órgão sejam executados com foco estratégico e tragam valor efetivo para o serviço público.
Controladoria-Geral de Goiás cria comitê para otimizar gestão de projetos
Assinada pelo secretário-chefe Marcos Tadeu de Andrade, a nova regulamentação busca combater a ineficiência e a falta de alinhamento estratégico, um desafio comum na gestão pública. A iniciativa coloca a responsabilidade de monitoramento e avaliação nas mãos de uma equipe de alta gestão.
Comitê de Alto Nível e Funções Essenciais
O novo comitê é composto por um grupo seleto de líderes da CGE, incluindo o próprio Secretário-Chefe, que o presidirá, e todos os subcontroladores da pasta. A formação também inclui o Chefe do Escritório de Projetos Setorial, o Chefe de Gabinete e outros líderes de áreas-chave, como a Gerência de Tecnologia da Informação e a Procuradoria Setorial.
A nova estrutura terá poder para:
- Priorizar e selecionar projetos: Decidir quais iniciativas são mais estratégicas para o órgão.
- Aprovar e encerrar projetos: Autorizar o início da execução e validar o fim formal dos trabalhos.
- Acompanhar o desempenho: Monitorar e deliberar sobre escopo, cronograma, custos, riscos e comunicação dos projetos.
- Garantir a metodologia: Exigir a aplicação de boas práticas e a documentação técnica necessária, como o Termo de Abertura do Projeto (TAP) e o Termo de Encerramento (TEP).
O comitê irá se reunir periodicamente para monitorar o andamento dos projetos. A decisão será tomada por maioria simples, com o voto qualificado do Secretário-Chefe em caso de empate, garantindo uma tomada de decisão ágil e coesa.
A criação do comitê reflete um esforço da Controladoria para fomentar uma cultura de gestão e governança, garantindo que os recursos públicos sejam utilizados de forma mais estratégica e eficiente, com foco nos resultados e na entrega de valor para a sociedade. A Portaria Nº 169 revoga uma portaria anterior, de 2024, consolidando um novo e mais robusto modelo de gestão para os projetos da CGE.
Pontos Positivos
Maior Eficiência e Foco Estratégico: Ao centralizar a tomada de decisões em um comitê de alto nível, a CGE pode garantir que os projetos selecionados e priorizados tenham real alinhamento com os objetivos estratégicos do órgão, evitando o desperdício de tempo e recursos em iniciativas de baixo impacto.
Aumento da Transparência e da Prestação de Contas: O comitê estabelece um processo formal de avaliação e acompanhamento de projetos. Isso permite rastrear o progresso, os custos e as entregas de forma mais clara, aumentando a responsabilidade dos gestores e a transparência para a sociedade.
Mitigação de Riscos: A nova estrutura tem a responsabilidade explícita de deliberar sobre riscos críticos e mudanças significativas. Isso permite identificar e resolver problemas de forma proativa, reduzindo as chances de falhas, atrasos e estouros de orçamento.
Profissionalização da Gestão Pública: A portaria menciona a adoção de boas práticas de gestão de projetos (PMI). Isso incentiva a profissionalização dos servidores e a aplicação de metodologias que visam resultados mais previsíveis e de alta qualidade.
Pontos Negativos
Potencial Aumento da Burocracia: A criação de uma nova camada de aprovação e governança, por mais bem-intencionada que seja, pode tornar o processo mais lento e burocrático, especialmente para projetos menores que precisam de agilidade.
Centralização Excessiva de Poder: A concentração da autoridade para selecionar e encerrar projetos nas mãos de poucos membros do comitê pode levar a decisões influenciadas por visões restritas, em vez de uma abordagem mais colaborativa e descentralizada.
Desafios na Implementação: A portaria busca “fomentar a cultura” de gestão de projetos. Uma mudança cultural dentro de uma organização pode ser lenta e encontrar resistência, fazendo com que o comitê se torne um processo meramente formal, sem o impacto prático desejado.
Risco de Vieses Políticos: Como em qualquer estrutura de alto nível no setor público, há um risco de que as decisões de priorização de projetos sejam influenciadas por fatores políticos em vez de critérios puramente técnicos ou de valor público.